Na Costa do Marfim, a sequência política aberta pelas eleições legislativas do final de dezembro de 2025 entra numa nova fase institucional. O executivo deverá ser recomposto, num contexto marcado por uma ampla dominação do partido no poder e pelo início do quarto mandato do presidente Alassane Ouattara.
A Costa do Marfim aguarda a nomeação de um novo governo, depois de o primeiro-ministro e a equipa em funções terem apresentado a sua demissão na quarta-feira, 7 de janeiro, na sequência das eleições legislativas de sábado, 27 de dezembro.
Esta demissão ocorreu no final de um Conselho de Ministros durante o qual o presidente Alassane Ouattara (na foto, à esquerda) pôs oficialmente termo às funções do primeiro-ministro Robert Beugré Mambé (na foto, à direita) e dos membros do seu governo. Num comunicado, a Presidência indicou que o chefe de Estado dirigiu os seus agradecimentos ao governo cessante pela sua «contribuição para o desenvolvimento socioeconómico» do país.
Contexto e desafios a curto prazo
As eleições legislativas de 27 de dezembro deram uma larga maioria ao Reagrupamento dos Houphouëtistas para a Democracia e a Paz (RHDP), partido que conquistou mais de 75 % dos assentos na Assembleia Nacional. Este escrutínio teve lugar dois meses após a reeleição de Alassane Ouattara para um quarto mandato, com cerca de 90 % dos votos.
Para além da composição do futuro governo, várias etapas institucionais são esperadas nas próximas semanas, nomeadamente a eleição do presidente da Assembleia Nacional e, eventualmente, a nomeação de um vice-presidente. Estes desenvolvimentos serão acompanhados de perto num contexto em que a Costa do Marfim, uma das principais economias da UEMOA, registou entre 2012 e 2020 um crescimento médio de 8,2 %, um dos mais elevados de África, segundo o Banco Mundial.
Desde 2021, o crescimento económico tem sido superior a 6 %, e a tendência deverá manter-se em 2025. «A economia da Costa do Marfim mantém-se resiliente apesar da persistente incerteza mundial. Em 2025, o crescimento deverá atingir 6,3 %, graças à solidez dos sectores secundário e terciário, ao investimento sustentado e ao aumento dos rendimentos das famílias», indicou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em dezembro passado.
A instituição antecipa igualmente uma inflação média em torno de 1 % e perspetivas positivas a médio prazo, apoiadas em fundamentos considerados sólidos, bem como na contribuição esperada dos sectores dos hidrocarbonetos e das minas.













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