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A preocupante progressão da diabetes em Marrocos e na região MENA ( Ponto saúde )

A preocupante progressão da diabetes em Marrocos e na região MENA ( Ponto saúde )
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026

o Africa CDC dá continuidade ao seu ensaio clínico sobre o mpox; um estudo revela os limites do combate à malária. Em Madagascar, a vigilância contra o mpox continua, enquanto a Etiópia demonstra controlo do vírus Marburg. De forma mais ampla, a redução dos financiamentos internacionais levanta questões sobre a capacidade do continente de assumir a sua soberania sanitária.

Marrocos: o diabetes, uma crise sanitária silenciosa

Em Marrocos, o diabetes continua a avançar, num contexto de transição epidemiológica e de mudanças nos estilos de vida. Segundo as projeções da Federação Internacional do Diabetes, o número de pessoas afetadas na região MENA poderá quase duplicar até 2050. No Reino de Marrocos, em particular, a prevalência entre os adultos atinge cerca de 12%, o que representa aproximadamente 2,9 milhões de pessoas.

Segundo especialistas, esta dinâmica explica-se, nomeadamente, pela urbanização, pelo sedentarismo e pelo aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. A estes fatores somam-se fortes desigualdades sociais e territoriais.

Além disso, uma parte significativa dos casos permanece sem diagnóstico, o que atrasa o tratamento e aumenta, consequentemente, o risco de complicações graves, como insuficiência renal ou amputações. No país, o custo dos tratamentos e dos dispositivos de monitorização glicémica constitui igualmente um entrave à adesão terapêutica. Os especialistas defendem uma estratégia nacional integrada, que combine rastreio precoce, prevenção nutricional, atividade física e melhoria do acesso aos cuidados de saúde.

Financiamento global: o recuo dos doadores preocupa

Os doadores globais continuam a mostrar hesitação no apoio à luta contra as epidemias.

Mais recentemente, a Alemanha anunciou a intenção de reduzir para metade o seu financiamento ao Hub de Vigilância Pandémica da OMS, em Berlim, passando de 30 para 15 milhões de euros por ano. Especialistas, citados nomeadamente pelo Health Policy Watch, alertam para os riscos que esta decisão representa para a deteção precoce de ameaças sanitárias e para a cooperação com os países do Sul.

O Hub, lançado após a pandemia de covid-19, atua sobretudo na análise em tempo real de sinais epidémicos, recorrendo a ferramentas de inteligência artificial.

Num contexto global marcado pela redução da ajuda pública ao desenvolvimento, associada a um aumento das emergências sanitárias, estes cortes poderão fragilizar a preparação mundial face a futuras pandemias.

Etiópia: o vírus Marburg sob controlo, mas a vigilância mantém-se

Na Etiópia, nenhum novo caso da doença causada pelo vírus Marburg — próximo do vírus Ebola — foi registado há 21 dias, um sinal encorajador na gestão do surto declarado em novembro de 2025.

No total, foram confirmados 14 casos e registados nove óbitos no país. Recorde-se que o surto só será oficialmente declarado encerrado após 42 dias sem novos casos, de acordo com as diretrizes da OMS.

A resposta combinou rastreio em larga escala, centros de isolamento e campanhas de sensibilização que alcançaram mais de 20 milhões de agregados familiares, integradas na campanha nacional contra a poliomielite. Cerca de cinco milhões de viajantes foram igualmente controlados nos pontos de entrada e saída. As autoridades sanitárias apelam à manutenção da vigilância comunitária e ao combate à desinformação durante a fase final.

Malária: progressos frágeis perante ameaças estruturais

A malária continua a ser uma das principais causas de mortalidade evitável na África subsaariana, sobretudo entre crianças com menos de cinco anos e mulheres grávidas.

Uma revisão publicada esta semana na revista Nature evidencia lacunas persistentes na implementação das estratégias recomendadas pela OMS, como o tratamento preventivo intermitente durante a gravidez e a utilização de mosquiteiros impregnados.

Em 2023, a incidência mundial voltou a subir para 60,4 casos por 1.000 pessoas em risco, com cerca de 600.000 mortes. Apesar da introdução das vacinas RTS,S e R21 e da distribuição de mosquiteiros de nova geração, a cobertura permanece abaixo das metas estabelecidas para 2030 em muitos países.

As desigualdades socioeconómicas, o acesso tardio às consultas pré-natais e as ruturas no abastecimento limitam o impacto das intervenções. A estes entraves somam-se a crescente resistência aos inseticidas e aos tratamentos, bem como os efeitos das alterações climáticas, que ampliam as zonas de transmissão.

A revisão sublinha, em particular, a necessidade de abordagens integradas e adaptadas aos contextos locais, combinando prevenção, vacinação, vigilância climática e financiamento sustentável. Sem um reinvestimento maciço e direcionado, a trajetória atual torna pouco provável o alcance dos objetivos globais de redução da malária até 2030.

Mpox: um ensaio clínico africano para colmatar uma lacuna terapêutica

O Africa CDC, agência de saúde da União Africana, conduz um ensaio clínico panafricano sobre um tratamento antiviral específico contra o mpox. Lançado em 2024, este ensaio randomizado, duplo-cego, avalia várias opções terapêuticas em diversos países africanos, com um foco inicial na República Democrática do Congo.

O estudo, denominado MOSA, entra agora numa nova fase graças a um reforço recente do apoio financeiro da Emergent BioSolutions e da plataforma africana PANTHER, anunciado pelo Africa CDC.

Um comité independente de monitorização de dados e segurança analisou os primeiros resultados após a inclusão de 50 pacientes e recomendou a continuação do ensaio, sem sinais de segurança preocupantes. O estudo deverá estender-se a novos locais, nomeadamente no Uganda.

Esses trabalhos ocorrem num contexto em que, desde o início de 2024, mais de 61.000 casos confirmados e cerca de 300 mortes relacionadas com o mpox foram registados no continente, distribuídos por 32 países. A África concentra vários clados do vírus, com formas clínicas de gravidade variável.

Madagascar: mpox sob vigilância reforçada

Precisamente, Madagascar enfrenta uma retoma limitada, mas acompanhada de perto, do mpox. Seis casos confirmados e cerca de 70 casos suspeitos foram registados no início de janeiro de 2026, repartidos por várias regiões, incluindo Boeny, Analamanga e Vakinankaratra. As autoridades sanitárias mostram-se tranquilizadoras, não tendo sido registado qualquer óbito até ao momento.

No total, cinco pacientes estão hospitalizados e a receber tratamento com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de centros hospitalares universitários locais. Foram implementadas medidas de prevenção direcionadas, incluindo o uso de máscara em determinadas instituições e o reforço da vigilância sanitária nos pontos de entrada.

No oceano Índico, a situação em Madagascar é acompanhada com atenção por vizinhos como Mayotte e La Réunion, onde episódios anteriores levaram à implementação de dispositivos consolidados de rastreio, isolamento e vacinação direcionada.

África Ocidental: testar a preparação para emergências sanitárias

Em Dacar, uma simulação regional de emergência sanitária reuniu recentemente profissionais de toda a África Ocidental, com o objetivo de testar a coordenação operacional face a crises de grande escala. O exercício, apoiado pelo Africa CDC, foi conduzido em parceria com a OMS e o Programa Alimentar Mundial.

O objetivo é, nomeadamente, melhorar a tomada de decisão em tempo real, a coordenação intersetorial e a capacidade de resposta em cenários de forte pressão.

RDC: recrudescimento do sarampo no Kasaï-Oriental

Na República Democrática do Congo, mais de 450 casos de sarampo foram registados na província do Kasaï-Oriental desde meados de dezembro de 2025. Os casos, que afetam sobretudo crianças com menos de cinco anos, não resultaram, felizmente, em qualquer óbito até ao momento.

Embora o limiar epidémico pareça ter sido ultrapassado na localidade, as autoridades apontam para uma cobertura vacinal incompleta e para a reticência de alguns pais em relação à vacinação. Campanhas direcionadas estão em curso em várias zonas de saúde para conter a propagação. As autoridades sanitárias apelam assim à procura rápida de cuidados médicos em caso de febre ou erupção cutânea, de modo a evitar o agravamento da situação.

Ayi Renaud Dossavi

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