Enquanto a África ainda enfrenta dificuldades para alcançar uma integração cultural plena, num contexto marcado por crises de segurança, o Mercado Bienal das Artes e Espetáculos Africanos surge como uma alternativa credível. O evento reúne e coloca em interação culturas e saberes artísticos de diferentes origens.
Desde sábado, 11 de abril, Abidjan vive ao ritmo da 14.ª edição do Marché des Arts et du Spectacle Africain (MASA). Artistas, produtores e programadores reúnem-se na capital económica da Costa do Marfim para uma semana de espetáculos e encontros profissionais dedicados às indústrias culturais africanas.
Durante a cerimónia de abertura, marcada por emoção e grande impacto visual, Robert Beugré Mambé, chefe do governo, destacou o festival como um evento único no continente. «O MASA permite reunir os génios criadores marfinenses e estrangeiros vindos de todos os continentes e revelar o que cada cultura tem de melhor», afirmou, sublinhando o seu papel na promoção do diálogo intercultural.
Concebido como um programa de desenvolvimento cultural das artes do espetáculo africano, o MASA decorre até sábado, 18 de abril. A edição de 2026 distingue-se por uma programação particularmente rica, com 99 espetáculos distribuídos em dois segmentos: 60 grupos de 28 países no âmbito do mercado e 39 grupos de 23 países no festival.
Este mercado visa principalmente incentivar a criação artística, facilitar a circulação de obras e criadores, formar profissionais das artes performativas e dinamizar o setor das artes de palco em África e no mundo.
Um motor de integração para os criadores
«Artes do espetáculo em África: instrumento de integração económica e social» é o tema da edição 2026 do MASA, que se afirma como um espaço de encontro e partilha, promovendo a consolidação de laços entre nações através das artes e do poder agregador dos espetáculos.
«O mercado de artes e espetáculos de Abidjan não é apenas um festival, é sobretudo um mercado profissional. Permite aos artistas encontrar programadores, produtores, distribuidores e investidores de vários países», declarou Abou Kamaté, diretor-geral do MASA, numa entrevista ao Abidjan Show.
Acrescenta ainda que o evento promove a criação de redes e visa reforçar todo o ecossistema das indústrias culturais. Segundo ele, o cumprimento dos padrões profissionais internacionais é um requisito essencial para os artistas participantes e, de forma mais ampla, para todos os envolvidos no festival.
A escolha de Marrocos como país convidado de honra e do Brasil como convidado especial reflete a vontade de integração e abertura ao mundo.
Nos bastidores do MASA
O MASA não se limita ao mercado. Inclui também um festival, um fórum profissional, oficinas de formação e um espaço de networking para as indústrias culturais e criativas africanas.
O MASA Festival representa o lado recreativo do evento, acolhendo performances de artistas emergentes e não selecionados. Funciona como uma plataforma de lançamento para carreiras internacionais de artistas escolhidos. Existem ainda secções de atividades complementares.
Reunindo cerca de 20 000 estudantes do ensino secundário, o MASA escolar oferece um espaço dedicado ao público jovem através de espetáculos de marionetas, contos, teatro e oficinas para crianças. Por fim, o Village MASA constitui um espaço convivial com exposições, gastronomia e animações.
Ubrick F. Quenum













Palais des Expositions, Alger (Safex)