No Quénia, pouco mais de 6 bilhões de ações garantem empréstimos bancários desde o início de 2018. Essa situação, até então considerada normal, pode tornar-se um risco diante das consequências da covid-19 sobre a capacidade de reembolso dos mutuários.
Segundo a imprensa local, que cita dados publicados pelas autoridades de regulação, 6,5 bilhões de ações emitidas por empresas listadas na Nairobi Securities Exchange (NSE) foram usadas como garantia de empréstimos bancários. O limiar de 6 bilhões já havia sido ultrapassado no final do primeiro trimestre de 2018 e manteve-se estável até o final do primeiro trimestre de 2020.
Tecnicamente, isso não deveria representar um problema, já que os montantes concedidos pelos bancos são geralmente inferiores ao valor das ações dadas em garantia. Quando os mutuários reembolsam, os títulos são devolvidos. Mas a covid-19, com suas consequências financeiras, gerou riscos adicionais.
O primeiro risco está ligado à dificuldade de os mutuários reembolsarem, pois a pandemia afetou as cadeias de atividades econômicas de forma totalmente imprevisível. O segundo risco é que o valor das ações dadas em garantia pode ter diminuído ao longo do tempo.
O NSE 20, índice que reúne as 20 maiores empresas cotadas no Quénia, recuou 68,6% desde o início de 2015. Contudo, para o mercado como um todo, o valor das ações permanece em níveis superiores aos de setembro de 2013.
Idriss Linge













Marrakech. Maroc