Com a crise no Médio Oriente, os mercados agrícolas estão em suspense. A perturbação dos fluxos mundiais de fertilizantes está a alimentar as preocupações sobre algumas das principais matérias-primas alimentares.
Os preços do trigo entrarão numa espiral de subida nas próximas semanas? É pelo menos o que esperam vários fundos especulativos que operam na Bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade – CBoT).
Segundo dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) relativos à semana encerrada a 31 de março, as posições longas em contratos de futuros de trigo (125 toneladas por unidade) aumentaram para 117 375 lotes, o nível mais alto em seis anos, enquanto as posições curtas recuaram para 108 734 lotes.
Uma posição longa corresponde à compra de um ativo na expectativa de subida dos preços, pelo que este renovado interesse dos especuladores no trigo indica que estes estão agora a apostar na subida das cotações nos próximos meses.
Segundo a Bloomberg, esta perspetiva explica-se em parte pelas condições meteorológicas desfavoráveis, com uma seca persistente nas planícies dos Estados Unidos, que poderá prejudicar as colheitas numa das principais regiões produtoras do país.
Os preços do trigo chegaram a subir até 6,1 dólares por bushel (25 kg) no final de março, aproximando-se do nível mais alto desde outubro de 2024, segundo dados da Trading Economics. Por outro lado, os fundos especulativos estão também a apostar nos efeitos da crise dos fertilizantes ligados à guerra no Irão.
O conflito, que já entra na sua sexta semana, teve impacto no mercado de fertilizantes como a ureia, levando a um movimento global de segurança no aprovisionamento de fertilizantes para as culturas.
Do lado dos analistas, a leitura sobre esta aposta de subida dos preços continua cautelosa. E por boas razões: do ponto de vista dos fundamentos, o mercado do trigo mantém-se sólido. Segundo um comunicado da FAO publicado a 3 de abril, a maior parte das sementeiras de trigo para 2026 já foi realizada.
A organização prevê uma colheita mundial de cerca de 820 milhões de toneladas em 2026, uma descida de 1,7% em termos anuais, devido à combinação de preços menos atrativos e condições meteorológicas adversas na União Europeia, na Rússia e nos Estados Unidos, mas ainda acima da média dos últimos cinco anos. Além disso, as reservas mundiais atingiram o nível mais elevado em cinco anos, ajudando a limitar o impacto da escalada do conflito no Médio Oriente sobre os preços. Assim, entre 28 de fevereiro e 1 de abril, os preços do trigo subiram apenas 4%.
Espoir Olodo













Palais des Expositions, Alger (Safex)