A África do Sul é o segundo produtor de açúcar em África, a seguir ao Egito. Nos últimos anos, a indústria açucareira do país tem vindo a desenvolver uma dinâmica de modernização destinada a gerar maior valor acrescentado para além da produção tradicional de açúcar.
Na África do Sul, a indústria do açúcar continua a sua transformação. No dia 10 de abril, a segunda fase do plano diretor do setor (South African Sugar Value Chain Master Plan) foi oficialmente lançada com a assinatura, em Durban, de um acordo entre o governo, os industriais, os produtores e os sindicatos.
Trata-se de um plano estratégico nacional previsto para um período de 10 anos, destinado a relançar, transformar e garantir o futuro da indústria açucareira até 2030. A primeira fase, iniciada em 2020 e concluída em 2023, esteve sobretudo focada na dinamização da procura interna. Segundo dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, esta fase permitiu aumentar o consumo doméstico em cerca de 280 000 toneladas, próximo do objetivo inicial de 300 000 toneladas, graças, nomeadamente, a medidas que incentivaram as empresas a privilegiar o açúcar local.
Novas orientações para o setor
A segunda fase do Sugarcane Value Chain Master Plan 2030 marca uma viragem estratégica para o setor, agora orientado para a diversificação e a criação de valor. Prevê, nomeadamente, o desenvolvimento de produtos de maior valor acrescentado derivados da cana-de-açúcar, como biocombustíveis e outros produtos industriais, com o objetivo de reduzir a dependência da produção tradicional de açúcar. Esta orientação deverá reforçar a competitividade do setor, ao mesmo tempo que gera novas oportunidades industriais e emprego.
“Estamos agora a reinvestir nas capacidades existentes e a desenvolver as tecnologias necessárias para minimizar perdas de valor e melhorar a eficiência. É também necessário reposicionar a cana-de-açúcar, para que deixe de ser vista apenas como um produto agrícola e passe a ser considerada um produto transformado, capaz de gerar futuras oportunidades de emprego e permitir avanços para produções mais sofisticadas, como recursos energéticos”, refere um comunicado do Ministério do Comércio, Indústria e Concorrência.
“A fase 2 deve desbloquear oportunidades de diversificação. A crise no Médio Oriente abre, por exemplo, perspetivas para a produção de bioetanol no nosso país”, afirmou por sua vez Siyabonga Madlala, presidente da Associação Sul-Africana para o Desenvolvimento dos Agricultores (SAFDA), em declarações citadas pelo meio local Business Report.
Um impulso para a estruturação do setor dos biocombustíveis?
Importa notar que a África do Sul dispõe de um enquadramento regulatório cada vez mais claro e favorável aos biocombustíveis. Adotado em 2020, o Biofuels Regulatory Framework implementa a estratégia nacional de biocombustíveis de 2007 e define uma trajetória de integração dos biocombustíveis no “fuel pool” nacional.
A primeira fase, cuja implementação começou efetivamente em agosto de 2025, prevê uma taxa inicial de 2 % de integração de biocombustíveis no conjunto dos combustíveis de transporte, a partir de biocombustíveis de primeira geração produzidos a partir de culturas agrícolas como a cana-de-açúcar ou a soja. Uma segunda fase deverá elevar esta percentagem para 4,5 % em volume, após a concretização do primeiro objetivo.
O lançamento da segunda fase do plano diretor da indústria açucareira deverá reforçar a atratividade do setor. Na África do Sul, a colheita de cana-de-açúcar atinge cerca de 17 milhões de toneladas por ano e gera um excedente de produção de açúcar, que continua a ser o único produto final. Segundo o USDA, o país produz anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar, enquanto o consumo é inferior a 1,7 milhões de toneladas por ano, o que evidencia o potencial de diversificação para mercados alternativos.
Stéphanas Assocle













Palais des Expositions, Alger (Safex)