O Nigéria é o principal mercado de produtos lácteos na África Ocidental. No país, o governo está a multiplicar iniciativas destinadas a colmatar o défice estrutural de produção de leite, que obriga o país a importar em grande escala produtos derivados do leite.
No Nigéria, o Ministério do Desenvolvimento da Pecuária anunciou, na quarta-feira, 8 de abril, ter assinado um protocolo de acordo com a Nestlé Nigeria Plc para a criação de um centro de desenvolvimento de competências técnicas em produção leiteira. Segundo as autoridades, este estabelecimento será instalado no Território da Capital Federal (FCT), como um polo de formação prática destinado a modernizar a pecuária leiteira no Nigéria e torná-la competitiva a nível internacional.
Uma vez operacional, o centro fornecerá programas de formação através de atividades práticas no terreno e ensino teórico. «Os formandos serão preparados em diferentes aspetos da produção leiteira, incluindo reprodução animal, gestão de partos, criação de vitelos, operações agrícolas, registo de dados, técnicas de ordenha e cumprimento das normas de higiene, bem como gestão da alimentação e do bem-estar animal», pode ler-se num comunicado publicado no site do governo.
A ambição de Abuja com este projeto é modernizar as práticas pecuárias, na esperança de aumentar a produtividade dos sistemas pastorícios tradicionais no Nigéria, nos quais a produção média de leite por vaca é estimada entre 1 e 2 litros por dia.
No âmbito desta iniciativa, a Nestlé Nigeria irá aproveitar a sua experiência na indústria láctea para apoiar esta nova orientação. Já em 2025, a empresa lançou uma exploração de desenvolvimento leiteiro num terreno de 4 hectares na reserva de pastagem de Paikon Kore, em Abuja. Segundo as autoridades, este local de demonstração mostrou que boas práticas em reprodução, alimentação e gestão de rebanhos podem aumentar a produtividade de 1 litro para 10 litros de leite por vaca por dia.
Para o governo e o setor privado, o desenvolvimento de competências dos criadores de gado representa uma alavanca direta para melhorar a disponibilidade e a qualidade do leite cru local, bem como para estruturar uma rede de fornecedores mais fiável e organizada.
Ator importante da indústria láctea no Nigéria, a Nestlé produz e comercializa uma vasta gama de produtos lácteos através das marcas NIDO e NAN. Em 2025, a empresa afirmava recolher em média 6.000 litros de leite por dia junto de uma rede de cerca de 3.000 criadores.
A autossuficiência em vista
O projeto de criação de um centro de desenvolvimento de competências técnicas em produção leiteira na FCT insere-se na continuidade dos esforços do governo para colmatar o défice de produção de leite no país.
Em fevereiro, por exemplo, o Ministério do Desenvolvimento da Pecuária anunciou o seu envolvimento num parceria trilateral com o Brasil e o Reino Unido através do projeto «Iniciativa trilateral para sistemas bovinos inteligentes face ao clima», cujo objetivo é melhorar a produtividade do gado através de novas tecnologias.
Na mesma lógica de transformação do setor, o governo nigeriano estabeleceu também, a 12 de março, uma cooperação com a Coligação Láctea da União Europeia, que reúne três gigantes mundiais do setor — a dinamarquesa Arla Foods, a francesa Danone e a neerlandesa FrieslandCampina. Esta parceria foca-se no melhoramento genético dos rebanhos, no reforço dos sistemas de criação e no aumento da produção local de leite.
Mais recentemente, a 19 de março de 2026, o fundo soberano do país (NSIA) anunciou ter assinado um protocolo de acordo com a empresa britânica de capital de investimento privado Asset Green Ltd para a realização de um projeto integrado de produção leiteira, mobilizando cerca de 500 milhões de dólares de investimento.
Todas estas iniciativas alinham-se com a ambição de Abuja, desde 2025, de duplicar a produção leiteira do Nigéria para 1,4 milhões de toneladas até 2030, com o apoio do setor privado e de parceiros internacionais. Atualmente, o país ainda depende de importações que lhe custam em média 1,5 mil milhões de dólares por ano para colmatar o défice de produção de leite.
Stéphanas Assocle













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