No Ruanda, o peixe é uma fonte de proteína animal cada vez mais valorizada na alimentação, embora continue a ser marginal em comparação com a carne. A produção anual provém em cerca de 80% da pesca continental, sendo o restante oriundo da aquicultura.
No Ruanda, a produção nacional de peixe proveniente da aquicultura e da pesca aumentou 9% em termos homólogos, atingindo 52 439 toneladas em 2025. É o que revela o relatório anual publicado pelo Ministério da Agricultura e dos Recursos Animais no passado dia 31 de dezembro.
Esta dinâmica insere-se numa trajetória de crescimento iniciada em 2020, ano em que a produção se situava em 32 756 toneladas. Desde então, os volumes aumentaram de forma contínua todos os anos, sugerindo um reforço progressivo das capacidades de produção.
Segundo as autoridades, este crescimento assenta sobretudo nos investimentos realizados na aquicultura, nomeadamente na expansão da capacidade das incubadoras, na estruturação dos produtores em cooperativas e na melhoria do acesso a fatores de produção. O relatório indica que a produção de alevinos destinados à piscicultura atingiu 71,6 milhões em 2025, o que representa um aumento de 36% face aos 52,8 milhões registados no ano anterior.
Paralelamente, as autoridades colocaram a tónica no reforço das competências técnicas ao longo do exercício de 2025, através de programas de formação sobre a alimentação dos peixes, a prevenção de doenças e a comercialização, entre outras práticas aquícolas.
«1 737 piscicultores (57 como facilitadores e 1 680 como membros de cooperativas em clusters) receberam formação em boas práticas de aquicultura. Além disso, 26 agricultores foram formados na utilização da mosca-soldado-negra e na sua integração na formulação de rações para peixes», pode ler-se no relatório.
De forma mais ampla, a dinâmica de crescimento observada na indústria halieútica ruandesa coloca o setor no bom caminho para concretizar as ambições de crescimento do governo. No âmbito do seu 5.º Plano Estratégico de Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali tem como objetivo alcançar uma produção anual de 77 700 toneladas de peixe até 2029.
O desafio do aumento da produção será reduzir a dependência das importações, mas também responder à procura crescente para satisfazer as necessidades de proteínas animais. De acordo com dados oficiais, o consumo anual de peixe per capita no Ruanda já aumentou 53%, passando de 2,62 kg em 2018 para 4 kg em 2023.
Stéphanas Assocle













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