Entre objetivos climáticos ambiciosos e forte pressão sobre o seu sistema energético, a Nigéria destaca os seus instrumentos para mobilizar financiamentos em grande escala. Num contexto de rápido crescimento demográfico, necessidades massivas em infraestruturas e dependência dos hidrocarbonetos, Abuja procura posicionar a finança climática como um vetor estratégico de desenvolvimento.
Durante a Abu Dhabi Sustainability Week, realizada de domingo, 11, a quinta-feira, 15 de janeiro, o presidente nigeriano Bola Tinubu anunciou, segundo informações da Reuters, que o país visa uma capitalização de 2 mil milhões de USD para o seu fundo nacional dedicado ao clima. O fundo deverá apoiar projetos que contribuam para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e para a adaptação aos impactos das alterações climáticas. Tinubu, que não especificou o calendário de mobilização de recursos, destacou, no entanto, o interesse dos investidores pelos instrumentos verdes do país.
O fundo climático anunciado pelo chefe de Estado tem a sua base legal no Climate Change Act (CCA), adotado em 2021. Após vários anos de inatividade, o fundo iniciou em 2025 um processo de operacionalização. Está previsto que seja financiado por dotações orçamentais, contribuições internacionais, multas relacionadas com obrigações climáticas, bem como receitas provenientes de mecanismos de carbono.
Além disso, soma-se à criação da Nigerian Climate Investment Platform (NCIP), uma iniciativa distinta lançada pelo Ministério Federal das Finanças em maio de 2025. Esta plataforma visa mobilizar até 500 milhões de USD para projetos ligados a infraestruturas, resiliência e adaptação, contando com a coordenação entre o Ministério das Finanças, a Nigeria Sovereign Investment Authority, o National Council on Climate Change e o Green Climate Fund.
Estas iniciativas ocorrem num contexto em que a Nigéria reafirmou o seu objetivo de neutralidade carbónica até 2060 e adotou um plano de transição energética que abrange os setores da eletricidade, transportes, petróleo e gás, cozinha doméstica e indústria. Em 2023, o gás natural representava 77% da produção elétrica do país, enquanto o setor elétrico era responsável por 17% das emissões energéticas de CO₂.
Com a maior população de África e uma das principais economias do continente, a Nigéria enfrenta elevada exposição aos riscos climáticos, forte dependência de energia fóssil e um défice persistente de acesso à eletricidade para milhões de pessoas. Neste contexto, a capacidade de mobilização de financiamentos em grande escala será determinante para apoiar um desenvolvimento sustentável e uma economia mais resiliente.
Abdoullah Diop













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