Em África, a modernização das infraestruturas de armazenamento e transformação agrícola impõe-se como um fator-chave para reduzir as perdas pós-colheita e reforçar a segurança alimentar. Esta situação oferece oportunidades de investimento para os operadores ativos no setor.
No passado dia 8 de janeiro, a empresa belga Silo Construction & Engineering (SCE), especializada na conceção de edifícios industriais e silos destinados ao armazenamento de produtos a granel nos setores agroalimentar e de alimentação animal, anunciou a abertura de um escritório em Abidjan, Costa do Marfim.
Trata-se da única instalação oficial em África atualmente destacada pela empresa no seu site, sendo apresentada como uma plataforma comercial local para toda a região de África e Médio Oriente. «Estar presentes localmente permite-nos trabalhar mais de perto com os nossos clientes, oferecer um apoio mais rápido e adaptar melhor as nossas soluções de construção às necessidades em evolução da região», sublinha a empresa num comunicado publicado no seu site.
Embora as razões para a escolha da Costa do Marfim para albergar o novo escritório não estejam claramente especificadas, sabe-se que Abidjan responde a considerações logísticas, comerciais e estratégicas. A capital económica marfinense oferece, de facto, acesso privilegiado aos mercados da África Ocidental francófona, com ligações a vários países-chave, nomeadamente Gana, Burquina Faso, Mali e Senegal.
Esta iniciativa sugere igualmente a vontade da empresa belga de se posicionar melhor em África para tirar partido da crescente procura por infraestruturas agrícolas e agroindustriais modernas, face ao problema das perdas pós-colheita que ameaçam a segurança alimentar.
No continente onde cereais como milho, arroz, sorgo ou trigo desempenham um papel central na segurança alimentar, os défices de infraestruturas de armazenamento e manuseamento continuam a ser um obstáculo significativo à performance das cadeias de produção de cereais. Segundo o relatório “Transport connectivity for food security in Africa: strengthening supply chains”, publicado em maio de 2025 pelo Banco Mundial, as capacidades de armazenamento disponíveis na África Subsaariana cobrem menos de 30% da produção anual. «As capacidades limitadas de armazenamento em África agravam o problema das perdas e do desperdício alimentar pós-colheita, incluindo uma perda estimada de 40% das culturas perecíveis e de 20% de outros produtos alimentares», destacava o relatório.
Rumo a um reforço da presença em África
Com o escritório de Abidjan, a SCE tem a oportunidade de reforçar a sua pegada no continente. Antes da abertura deste novo escritório, a empresa belga já afirmava ter realizado numerosos projetos em África, incluindo a construção de um moinho de farinha com capacidade de processamento de 300 toneladas de trigo por dia para a empresa M’bouna, Moulin des Boulangers, no Mali, ou a construção de 14 silos de minerais para o fabricante marroquino de rações animais Alf Sahel.
No total, a SCE já realizou ou está a desenvolver projetos agroindustriais de armazenamento ou moagem em seis países africanos: Camarões, Angola, Congo, Burundi, Uganda e Quénia.
Resta saber se o escritório de Abidjan permitirá à SCE conquistar novos mercados, especialmente na África Ocidental. Convém notar que África é a segunda maior região importadora de cereais do mundo, depois da Ásia, com compras anuais de 96,5 milhões de toneladas realizadas pelos países do continente em média entre as campanhas de comercialização de 2021/2022 e 2023/2024, segundo a FAO.
Stéphanas Assocle













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