A cibersegurança afirma-se progressivamente como uma das prioridades das autoridades africanas. É agora indispensável para acompanhar a transformação digital em curso no continente e garantir a sua segurança.
No Burkina Faso, Oumarou Sanou (foto, à esquerda) foi oficialmente empossado na terça-feira, 28 de abril, nas funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI). Ele sucede a Boukaré Sébastien Yougbare, com a missão de coordenar as ações destinadas a reforçar a segurança digital do país.
A ANSSI é responsável por assegurar a proteção dos sistemas de informação das administrações e das infraestruturas críticas. Para esse efeito, implementa mecanismos de vigilância e alerta destinados a prevenir ciberataques. Intervém em caso de incidente para prestar assistência técnica. A instituição trabalha igualmente no reforço das capacidades dos atores públicos e privados através de ações de sensibilização e formação. Por fim, desempenha um papel fundamental na definição de normas e enquadramentos regulamentares destinados a garantir um ambiente digital seguro.
Especialista em sistemas de informação e engenheiro de conceção informática, Oumarou Sanou foi nomeado Diretor-Geral da ANSSI durante o Conselho de Ministros de 16 de abril. Antes desta nomeação, exercia funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Promoção das Tecnologias da Informação e da Comunicação (ANPTIC).
Segundo o Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrónicas, esta tomada de posse ocorre num contexto em que a segurança do espaço digital constitui um desafio estratégico maior para o Burkina Faso. O país aposta na integração das TIC em todos os setores para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico.
Neste quadro, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) sublinha que os Estados devem dar especial atenção à cibersegurança para tirar pleno partido das vantagens do digital. A generalização dos usos é acompanhada por um aumento dos riscos de ciberataques e de cibercriminalidade.
«O aumento das burlas online está intimamente ligado à aceleração da transformação digital em África. Os criminosos aproveitam o crescimento das atividades em linha, em particular o uso das redes sociais, do comércio eletrónico e dos serviços bancários móveis», indica a Interpol no seu relatório Cybercrime Africa Cyberthreat Assessment 2025. A organização estima que os incidentes cibernéticos registados entre 2019 e 2025 tenham provocado perdas financeiras superiores a 3 mil milhões de dólares no continente.
Segundo a 5.ª edição do Global Cybersecurity Index, publicada em 2024 pela UIT, o Burkina Faso encontra-se no terceiro nível, numa escala de cinco, em matéria de cibersegurança. O país regista progressos notáveis nos planos regulamentar, institucional e de cooperação internacional. No entanto, persistem desafios, nomeadamente no reforço das capacidades técnicas e no desenvolvimento de competências humanas face à evolução das ameaças digitais.
Isaac K. Kassouwi













Abuja, Nigeria