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Internet: a Guiné explora a opção por satélite para reduzir a fratura digital

Internet: a Guiné explora a opção por satélite para reduzir a fratura digital
Quinta-feira, 30 de Abril de 2026

Conforme às suas ambições de transformação digital, as autoridades guineenses pretendem generalizar o acesso à Internet. Segundo dados da União Internacional das Telecomunicações, cerca de 70% da população não utilizava o serviço em 2024.

A Guiné está a explorar uma cooperação com a Open Cosmos, especializada na conceção, fabrico e operação de satélites. A iniciativa insere-se numa tendência africana que aposta nas tecnologias espaciais para reduzir uma fratura digital ainda significativa no continente.

A questão foi abordada na quarta-feira, 29 de abril, durante um encontro entre Souleymane Thianguel Bah e Abou Bakr Mourched, responsável pelo desenvolvimento comercial da empresa. Também esteve presente Aminata Deen Touré. As discussões centraram-se nas soluções desenvolvidas pela Open Cosmos para a conectividade e recolha de dados, bem como nas oportunidades que estas oferecem para melhorar a cobertura digital, especialmente nas zonas remotas do país.

Um interesse crescente pelo setor espacial

Esta aproximação surge depois de a Guiné ter iniciado, em janeiro de 2025, contactos com a AirSat Technology para um possível projeto de satélite nacional. No entanto, não foram divulgadas atualizações sobre o avanço desta iniciativa.

Esta dinâmica faz parte de uma tendência mais ampla em África. Segundo a GSMA, soluções de conectividade aérea, incluindo satélites, deverão desempenhar um papel fundamental na concretização da conectividade universal na África subsaariana, sobretudo em regiões com geografia complexa.

Uma fratura digital persistente

De acordo com a ARTP Guinée, 94,11% das localidades estavam cobertas por rede móvel em meados de 2025. Ainda assim, cerca de 5,89% da população permanece mal servida, incluindo 1,4% sem qualquer cobertura.

Os dados da União Internacional das Telecomunicações indicam que a cobertura 2G atingia 87,9% da população em 2022, enquanto a 3G cobria 81,3% em 2024 e a 4G cerca de 77%.

No que diz respeito à utilização, o país registava 12,8 milhões de subscrições móveis em meados de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 89,1%. Para a Internet móvel, eram contabilizadas 8,28 milhões de subscrições (57,86% da população). Contudo, estes números devem ser relativizados, uma vez que um utilizador pode possuir vários cartões SIM. A UIT estima, por comparação, uma taxa de penetração real de 33,3% em 2024.

Para além da cobertura de rede

Segundo a GSMA, a conectividade por satélite constitui uma extensão valiosa das redes terrestres, mas não é, por si só, suficiente para responder ao desafio da inclusão digital. Em África, 58% das populações não conectadas já vivem em zonas cobertas por banda larga móvel. O desafio não reside apenas no acesso à conectividade, mas também — e sobretudo na capacidade das populações de utilizarem efetivamente os serviços digitais.

A acessibilidade financeira continua a ser um entrave importante. O custo dos equipamentos (smartphones, terminais satelitais) e das subscrições permanece fora do alcance de uma grande parte dos agregados familiares. A estas limitações juntam-se fatores económicos e sociais persistentes, como a fraca literacia digital e a escassez de conteúdos adaptados às realidades locais, que restringem a procura.

Isaac K. Kassouwi

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