As autoridades congolesas pretendem atrair investimentos estrangeiros para apoiar a transformação digital em curso. Em novembro de 2025, o país tinha, por exemplo, aproximado-se da British International Investment (BII), a instituição de financiamento do desenvolvimento do Reino Unido.
O governo da República Democrática do Congo (RDC) assinou, na semana passada, um protocolo de acordo com a empresa tecnológica norte-americana Cybastion, com o objetivo de acelerar a sua transformação digital. O país abre-se assim cada vez mais à intervenção de empresas e investidores americanos no seu mercado.
O protocolo foi assinado na quarta-feira, 15 de abril, em Washington, durante uma reunião organizada com o apoio da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, em colaboração com o think tank Atlantic Council, especializado em relações internacionais. O evento reuniu investidores, responsáveis do Departamento de Estado norte-americano e decisores económicos em torno das oportunidades oferecidas pelo mercado congolês.
Segundo o Ministério da Economia Digital da RDC, este acordo marca a entrada concreta de empresas americanas no ecossistema digital nacional. Ele estabelece as bases de uma parceria estratégica focada na transferência de competências, no investimento tecnológico e na aceleração da digitalização.
O grupo bancário norte-americano Equity Group Holdings reafirmou também a sua vontade de estabelecer uma parceria com as autoridades congolesas para apoiar esta transformação. O seu diretor-geral adjunto comercial da Equity BCDC, Hugues Efole, indicou que o banco pretende ir além do financiamento tradicional, envolvendo-se também no plano tecnológico. «Queremos estabelecer bases concretas entre as ambições de digitalização dos serviços na RDC e a necessidade de oferecer às populações acesso a serviços digitais a custos acessíveis», declarou.
O digital congolês: entre ambições e oportunidades
Este aproximação ocorre num momento em que as autoridades apostam no digital como motor de desenvolvimento socioeconómico. O país ambiciona tornar-se uma “Digital Nation” e um polo tecnológico na África Central até 2030. Em Washington, o ministro Augustin Kibassa estruturou esta ambição em três eixos: desenvolvimento de infraestruturas digitais modernas, implementação de uma identidade digital segura e criação de uma economia digital dinâmica, centrada na inovação e na inclusão financeira.
Apresentado em setembro de 2025, o Plano Nacional de Desenvolvimento do Digital – Horizonte 2030 está estruturado em quatro pilares. Prevê o reforço das infraestruturas (conectividade e centros de dados), a implementação do e-governo para modernizar os serviços públicos, o reforço da governação digital através de soluções de cibersegurança e o desenvolvimento de competências digitais, com foco nos jovens e nas mulheres.
Perante os investidores, o ministro destacou o potencial do mercado congolês, com mais de 100 milhões de habitantes, maioritariamente jovens. Sublinhou também a adoção do Código Digital, apresentado como um sinal forte para os investidores, garantindo segurança jurídica, proteção de dados e enquadramento das parcerias público-privadas. «Investir na RDC é investir num dos mercados mais promissores de África», afirmou.
Apesar destas perspetivas, a RDC continua atrasada em vários indicadores. O país apresenta, segundo as estatísticas oficiais mais recentes, uma taxa de penetração móvel de 65% e de Internet móvel de 33%. Os números reais podem ser inferiores devido ao uso de múltiplos cartões SIM por utilizador. A GSMA estimava, por exemplo, uma taxa de penetração da Internet móvel de apenas 17% em 2024.
Numa reunião com investidores britânicos em novembro de 2025, o ministro dos Correios e Telecomunicações, José Mpanda Kabangu, afirmou: «o nosso país é vasto, mas não está bem conectado. Existe uma fratura digital. Temos 145 territórios não conectados que exigem investimento, e as nossas portas estão abertas ao setor privado». Acrescentou ainda que a RDC dispõe atualmente de apenas 4 000 km de fibra ótica, quando as necessidades são estimadas em 50 000 km, e de 5 150 torres de telecomunicações para um objetivo de pelo menos 30 000.
Em termos de transformação digital, a RDC ocupou o 179.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas em 2024, com uma pontuação de 0,2715/1, abaixo das médias regional e global. O país situa-se também no terceiro nível em cinco no Índice Global de Cibersegurança da União Internacional das Telecomunicações (UIT). Apesar de alguns progressos institucionais e legais, persistem desafios importantes em termos de capacidades técnicas, cooperação e desenvolvimento de competências.
Isaac K. Kassouwi













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