A Angola lançou a comercialização do seu satélite de telecomunicações nacional, AngoSat-2, em janeiro de 2023. Este satélite é utilizado para fornecer conectividade às populações em áreas rurais, bem como a hospitais, escolas, universidades e administrações.
A Tanzânia e o Botswana manifestaram recentemente o seu interesse pelas capacidades do satélite de telecomunicações angolano AngoSat-2, com o objetivo de reforçar as suas infraestruturas de conectividade nacionais. Esta dinâmica confirma o crescente interesse que o satélite nacional angolano está a gerar em África, especialmente na África Oriental e África Austral.
Os dois países expressaram o seu interesse durante o Fórum do Satélite Partilhado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizado em Dar es Salaam, na Tanzânia, de 16 a 20 de fevereiro, segundo o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN). Comprometeram-se a estudar a viabilidade da implementação desta iniciativa nos seus respectivos países, a participar no ANGOTIC 2026 e a estabelecer parcerias estratégicas no âmbito dos programas espaciais.
No dia 19 de fevereiro, o Quénia também manifestou a sua intenção de adquirir as capacidades oferecidas pelo AngoSat-2, particularmente na banda Ku, para internet de alta velocidade, telefonia móvel, radiodifusão e televisão. Outros países, como a República Democrática do Congo e Zâmbia, também expressaram interesse pelos serviços do satélite.
Satélite: Um Impulsionador de Conectividade em África
Em serviço desde o início de 2023, o AngoSat-2 é um satélite de telecomunicações de alta capacidade (HTS) posicionado em órbita geostacionária. Ele oferece serviços nas bandas C, Ku e Ka, com uma cobertura que abrange todo o continente africano e uma parte da Europa. Permite oferecer conexões de internet de alta velocidade, bem como serviços de televisão e telefonia, incluindo nas zonas sem infraestruturas terrestres.
Em agosto de 2023, a Angola anunciou o início de trabalhos técnicos para permitir que os países da SADC beneficiem dos serviços do satélite. Durante o fórum, o GGPEN apresentou o projeto “Conecta Angola Comercial”, destacando os resultados já alcançados e a sua intenção de expandir a iniciativa para o nível regional. Em Angola, o projeto visa fornecer internet gratuita em áreas remotas onde nenhum operador móvel está presente, aproveitando as capacidades do AngoSat-2. O projeto foca particularmente as instituições públicas, como escolas, hospitais e administrações municipais.
O Crescente Interesse e o Papel das Tecnologias Espaciais
Este crescente interesse pelo satélite nacional angolano está inserido num contexto africano em que as tecnologias espaciais são cada vez mais vistas como um impulsionador para reduzir a fractura digital que ainda existe. A Associação Mundial dos Operadores de Telefone Móvel (GSMA) estima que a conectividade via satélite terá um papel crucial na realização da conectividade universal na África Subsaariana.
“A região abriga algumas das geografias mais difíceis para as redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias de montanhas. Mesmo nas zonas rurais e com pouca população, o custo e a complexidade do desenvolvimento de redes móveis ou fixas convencionais constituem argumentos favoráveis para soluções alternativas de conectividade”, salienta a organização no seu relatório “A Economia do Móvel na África Subsaariana 2024”.
De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), cerca de 25 % da população africana não estava coberta pela 4G em 2025, em comparação com cerca de 11 % para a 3G e 6 % para a 2G. Além disso, a GSMA estima que o déficit de cobertura de internet móvel na África seja de 9 %, enquanto a UIT calcula que a taxa de penetração da internet no continente seja de 35,7 %.
Isaac K. Kassouwi













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