Pela primeira vez desde 2012, o naira nigeriano terminou 2025 em alta, a 1.429 nairas por dólar. Um avanço atribuído às reformas do Banco Central, após treze anos de desvalorização contínua.
Na Nigéria, o naira encerrou o ano de 2025 em nota positiva, algo inédito em mais de uma década. A moeda nigeriana fechou em 31 de dezembro a 1.429 nairas por dólar, registrando uma valorização anual de 7,4%, segundo dados oficiais do Banco Central da Nigéria (CBN).
Trata-se da primeira alta anual do naira desde 2012, após treze anos consecutivos de desvalorização, marcados por escassez de divisas, forte dependência das importações e desequilíbrios persistentes no mercado cambial.
O ano de 2025, no entanto, não foi linear. A moeda enfrentou fortes turbulências no primeiro semestre, atingindo seu ponto mais baixo em abril, em torno de 1.602 nairas por dólar. Inflação elevada, demanda sustentada por divisas e atrasos nas entradas de capitais pesaram fortemente sobre a moeda nesse período.
A partir de maio, contudo, iniciou-se uma recuperação gradual, que se acelerou no último trimestre. Setembro marcou um ponto de inflexão, com o retorno duradouro do naira abaixo do patamar de 1.500 por dólar. Após uma leve consolidação em novembro, a moeda ganhou novo fôlego em dezembro e encerrou o ano em seu nível mais alto dos últimos doze meses.
Para os analistas, essa evolução reflete o impacto das reformas do mercado cambial implementadas pelo Banco Central em 2024, sob a liderança de seu governador, Yemi Cardoso (foto, ao centro). Essas medidas reduziram, em especial, o diferencial entre as taxas oficiais e paralelas para menos de 5%, limitando comportamentos especulativos e melhorando a transparência do mercado.
O Banco Central também endureceu sua política monetária e reforçou seu arcabouço regulatório, com a introdução, no início de 2025, de um código de conduta cambial destinado a enquadrar as práticas dos participantes do mercado.
Embora essa estabilização alimente um otimismo cauteloso para 2026, observadores ressaltam que a solidez do naira dependerá da capacidade da Nigéria de conter a inflação, atrair capitais de forma sustentável e diversificar suas fontes de divisas. O CBN, por sua vez, projeta uma redução significativa das pressões inflacionárias, com uma inflação média estimada em 12,94% em 2026, contra cerca de 21,3% em 2025, impulsionada pela moderação dos preços dos alimentos e dos combustíveis, maior estabilidade do câmbio e pelos efeitos das medidas monetárias e estruturais em curso.
Ao mesmo tempo, a instituição aposta em uma aceleração do crescimento econômico, com o produto interno bruto previsto para crescer cerca de 4,49% em 2026, cenário que depende da continuidade das reformas, da melhoria das entradas de divisas e de um ambiente macroeconômico mais estável. Na ausência de resultados duradouros nessas frentes, alertam os analistas, a moeda nigeriana poderá permanecer exposta a novos períodos de volatilidade.
Fiacre E. Kakpo













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