Enquanto o Gabão prevê tornar operacional, em janeiro de 2026, a sua central nacional de compras, três países sahelianos, reunidos no âmbito da Aliança dos Estados do Sahel, também preparam a criação de uma central de compras comum, com o apoio dos seus organismos nacionais.
Os países membros da Aliança dos Estados do Sahel (AES) estão a trabalhar na criação de uma central de compras confederal. O anúncio foi feito na terça-feira, 23 de dezembro de 2025, por Assimi Goïta, presidente do Mali, durante a apresentação do seu balanço após um ano à frente da Confederação dos Estados do Sahel.
Essa central de compras diz respeito aos três países membros da AES, a saber, Mali, Burkina Faso e Níger. Ela deverá contribuir para uma melhor regulação dos mercados de cereais, para a constituição de uma reserva cerealífera confederal e para o reforço da segurança alimentar no espaço da AES.
A criação dessa estrutura permitirá estabelecer um quadro comum para uma melhor coordenação das políticas públicas de compras, uma planificação mais eficiente das importações e uma gestão conjunta das necessidades, especialmente em períodos de tensão nos mercados.
Um acordo entre os organismos cerealíferos como primeira etapa
O projeto da central de compras da AES ainda se encontra em fase de estruturação. Nesta etapa, colocam-se questões relativas à sua forma jurídica, à estrutura do seu capital, ao papel exato dos Estados membros na sua governação, à lista dos produtos que serão geridos ou ainda à existência ou não de monopólios de importação sobre determinados produtos.
Enquanto se aguarda a criação formal da central, um primeiro passo foi dado em 17 de dezembro de 2025, em Niamey. O Office des Produits Agricoles du Mali (OPAM) assinou um acordo de parceria com o Office des Produits Vivriers du Niger (OPVN) e com a Société Nationale de Gestion du Stock de Sécurité Alimentaire do Burkina Faso (SONAGESS).
Essas estruturas públicas são responsáveis, nos respetivos países, pela gestão das compras de cereais e dos estoques de segurança. Esse acordo lança as bases de um instrumento económico e logístico comum, chamado a transformar de forma duradoura a gestão dos produtos estratégicos no espaço saheliano.
A criação de uma central de compras não é um ato isolado no continente. O Gabão anunciou, ao final do conselho de ministros de 12 de agosto de 2025, a criação de uma central nacional de compras. Essa estrutura terá a forma de uma sociedade anónima, detida em 37% pelo Estado e em 63% por operadores nacionais de distribuição, e ficará sob a tutela técnica do Ministério da Economia e das Finanças.
A central gabonesa terá como missão comprar, armazenar, transportar e distribuir produtos considerados essenciais, que vão desde gêneros alimentícios até materiais de construção. Ela disporá de monopólios de importação sobre cerca de cinquenta produtos e visa estabilizar os preços, garantir o abastecimento e importar diretamente junto aos produtores internacionais.
Segundo a Agência Gabonesa de Imprensa, essa central deverá tornar-se operacional a partir de janeiro de 2026, com a chegada das primeiras cargas. O exemplo gabonês oferece um ponto de comparação para a AES, à medida que a Confederação do Sahel avança na definição do seu próprio modelo de central de compras.
Chamberline MOKO













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