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Metais críticos: a mina Kabanga no cruzamento dos interesses americanos e chineses na Tanzânia

Metais críticos: a mina Kabanga no cruzamento dos interesses americanos e chineses na Tanzânia
Segunda-feira, 8 de Junho de 2026

Impulsionados pelas necessidades ligadas à transição energética, os projetos africanos de minerais críticos estão a atrair um número crescente de atores estrangeiros. Na Tanzânia, esta dinâmica assume uma dimensão particular, tendo em conta a diversidade de recursos minerais existentes no subsolo do país.

Cerca de um ano após a retirada da BHP, novos atores já manifestam interesse em apoiar a Lifezone Metals, empresa norte-americana, no desenvolvimento do projeto de metais críticos Kabanga, na Tanzânia. Entre eles encontra-se o grupo chinês Lygend Resources, cujo interesse, revelado pela Reuters na sexta-feira, 5 de junho, evidencia uma forma de convergência entre Washington e Pequim em torno desta futura mina.

Detentora anteriormente de 17% do capital, a BHP anunciou, em julho de 2025, um acordo para ceder a sua participação no projeto Kabanga à Lifezone Metals. A operação elevou a participação desta última para 84%, ficando os restantes 16% nas mãos do Estado tanzaniano. Desde então, a empresa não excluiu a entrada de um novo parceiro no projeto. No final de abril, chegou mesmo a indicar ter recebido «várias ofertas» de potenciais investidores, sem revelar identidades.

Segundo a Reuters, que cita fontes próximas do processo, a Lygend Resources já estará em negociações com a Lifezone, embora o estado atual dessas conversações não tenha sido esclarecido.

Entre diversificação e segurança financeira

Para a Lygend, um dos principais intervenientes globais na cadeia do níquel, esta aposta no projeto Kabanga insere-se numa estratégia de diversificação fora da Indonésia, o maior produtor mundial do metal. Do lado da Lifezone, esta abertura surge num contexto em que o grupo procura assegurar o financiamento necessário para iniciar a fase de construção. O projeto, avaliado em 942 milhões de dólares, prevê a exploração de um ativo capaz de produzir cerca de 902 000 toneladas de níquel ao longo de 18 anos, além de cobre e cobalto como subprodutos.

A Lifezone espera já beneficiar do apoio financeiro da agência norte-americana DFC para concluir esta fase. A entrada de um novo investidor reforçaria esta dinâmica, embora o cenário de coabitação com a Lygend permaneça incerto. Entretanto, este movimento ilustra a intensificação das estratégias concorrentes para garantir o fornecimento de minerais críticos em África. Uma tendência já observada na Tanzânia, como demonstra o confronto entre a norte-americana General Innovation Capital (GICP) e a Shenghe Resources em torno do projeto de terras raras de Ngualla no ano passado.

As próximas comunicações sobre o dossiê serão determinantes para avaliar o seu desfecho. A Lifezone Metals pretende tomar uma decisão final de investimento (FID) até meados de 2026. Para além do financiamento, a obtenção da licença de exploração junto das autoridades tanzanianas constitui também uma etapa-chave antes do início das obras.

Aurel Sèdjro Houenou

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