O primeiro ministro etíope, Abiy Ahmed, solicitou mediação americana e europeia para resolver pacificamente a questão do acesso ao mar com a Eritreia.
A Etiópia, um país sem litoral e com 135 milhões de habitantes, depende fortemente do porto de Djibuti para cerca de 90% de suas transações comerciais e busca diversificar suas rotas marítimas.
As tensões regionais e as necessidades logísticas têm sido obstáculos na busca da Etiópia por um acesso ao mar. Abiy Ahmed está se utilizando da diplomacia para superar a reclusão que está freando as ambições econômicas de seu país.
Na terça-feira, 28 de outubro, o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed anunciou que havia solicitado uma mediação americana e europeia para chegar a uma "resolução pacífica" com a Eritreia sobre o acesso de seu país ao mar. Para a Etiópia, que não tem litoral e possui 135 milhões de habitantes (segundo dados do Worldometers), a busca por uma saída marítima duradoura é tanto uma necessidade logística quanto um desafio econômico.
Uma dependência em relação a Djibuti.
Desde a sua separação da Eritreia em 1991, a Etiópia não possui acesso direto ao mar. O porto de Djibuti tornou-se seu principal canal comercial, garantindo pelo menos 90% de seus volumes de importações/exportações. Esta dependência logística tem um alto custo: altas taxas portuárias e de frete, vulnerabilidade a incertezas políticas e climáticas, congestionamento e pressão crescente sobre as infraestruturas, especialmente a rede de estradas por onde passa a maior parte dos fluxos de comércio.
Esta situação leva Addis Abeba a buscar a diversificação de suas rotas marítimas. "Solicitamos a mediação deles para encontrar uma solução duradoura", declarou Abiy Ahmed, evidenciando a necessidade de estabilizar as relações com Asmara para reabrir um corredor marítimo controlado internacionalmente.
Relações novamente tensas
Após duas décadas de Guerra Fria e ruptura diplomática, os dois vizinhos assinaram um histórico acordo de paz em 2018, aplaudido pela comunidade internacional. No entanto, a cooperação logo se deteriorou. A Guerra de Tigray, inicialmente combatida em conjunto contra a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF), trouxe à tona divergências.
Addis Abeba hoje acusa Asmara de apoiar milícias antigovernamentais, enquanto a suspensão dos voos entre as duas capitais em setembro de 2024 ilustra o deterioramento das relações bilaterais.
Uma diplomacia em todas as direções
Em face desta situação, a Etiópia tem multiplicado iniciativas. Em 2024, assinou um protocolo de acordo com a Somalilândia para a utilização de um porto no Mar Vermelho. Considerado ilegal pela Somália, este acordo provocou uma crise diplomática regional, finalmente apaziguada por uma mediação turca.
Addis Abeba também tem direcionado seu olhar para o Sudão do Sul e Uganda através do projeto DESSU, um corredor regional destinado a facilitar trocas multimodais entre países sem litoral e países litorâneos. O comitê técnico responsável pela implementação se reuniu na semana passada para acelerar o trabalho, à medida que as necessidades logísticas na região se tornam cada vez mais urgentes.
Essa pressão torna o acesso ao mar um dos ativos mais disputado no Chifre da África. Além dos aspectos econômicos, trata-se de uma luta de influência entre atores regionais (Etiópia, Eritreia, Somália, Quênia, etc.) e atores externos como a Turquia, os Emirados Árabes Unidos ou os Estados Unidos, todos ansiosos para fortalecer sua presença nesta área estratégica para o comércio mundial.
Para a Etiópia, segunda economia da África Oriental depois do Quênia, um corredor marítimo seguro e estável seria crucial para a realização de suas ambições industriais. A grande questão será como conciliar este objetivo com a estabilidade e o respeito ao equilíbrio político frágil na região.
Henoc Dossa













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