Diante de um mercado de trabalho rígido e de cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, as autoridades congolesas apostam na formação prática para melhorar a inserção profissional dos jovens e estimular atividades geradoras de renda.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 30 de dezembro, em Brazzaville, na República do Congo, o Fundo Nacional de Apoio à Empregabilidade e à Aprendizagem (FONEA) anunciou o lançamento de um programa nacional de formação gratuita em trabalho com miçangas (perlagem), destinado a reforçar a empregabilidade e o autoempreendedorismo dos jovens. Apoiado pela Sociedade Africana de Recuperação (SAR), o programa prevê a formação de 3.000 beneficiários em uma cadeia artesanal ainda pouco estruturada, mas percebida como portadora de oportunidades econômicas.
Segundo os detalhes disponíveis, o programa é voltado a jovens de 16 a 35 anos e está organizado em torno do aprendizado do ofício, seguido por uma fase de produção e, posteriormente, de comercialização dos produtos. Essa abordagem integrada busca estruturar uma atividade artesanal ainda amplamente informal, transformando-a em um verdadeiro projeto empreendedor inserido em uma lógica de mercado.
Totalmente gratuita, a formação prevê a entrega de kits de instalação aos participantes, bem como um acompanhamento pós-formação destinado a avaliar seu impacto na inserção profissional. Em sua mensagem, Ghislain Louboya, diretor do FONEA, explica que o programa começa com uma fase piloto em Brazzaville e Pointe-Noire, antes de uma expansão progressiva em nível nacional.
Oficialmente, o projeto visa “fazer do trabalho com miçangas um instrumento de autoemprego e de inserção sustentável”, segundo o responsável pelo Fundo, convencido de que não se trata apenas de formar para um ofício, mas de “forjar verdadeiros empreendedores” capazes de gerar rendas duradouras. A escolha do trabalho com miçangas baseia-se em seu potencial econômico, considerado apto a criar oportunidades no artesanato e nos mercados locais, ao mesmo tempo em que valoriza o “Made in Congo”.
Essa iniciativa surge em um contexto de crescentes preocupações em torno do emprego juvenil. Segundo dados do Banco Mundial citados pela Global Economy, a taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos na República do Congo permanece elevada, em torno de 39,99% em 2024, bem acima da média mundial.
Félicien Houindo Lokossou













King Abdulaziz International Conference Center, Riyadh - « Dawn of a global cause: Minerals for a new age of development »