A África apresenta uma juventude dinâmica e mercados de trabalho em transformação, mas as pessoas com deficiência continuam largamente excluídas de formações adaptadas e de empregos dignos, apesar do surgimento de iniciativas públicas e associativas. Esta situação coloca a inserção profissional das pessoas com deficiência no centro dos debates sobre o desenvolvimento inclusivo do continente.
Em vários países africanos, começam a surgir programas colaborativos e quadros de ação sobre o tema, promovidos por alianças entre governos, organizações internacionais e atores locais. Estas dinâmicas refletem uma crescente conscientização, embora o seu alcance ainda seja limitado.
No Benim, em novembro de 2025, a Universidade de Abomey-Calavi dedicou uma sessão específica à empregabilidade dos diplomados com deficiência durante o Salão do Emprego, demonstrando a vontade de integrar esta questão nos mecanismos de inserção existentes. Alguns meses antes, a Agência Nacional de Emprego (AnpE) tinha organizado uma formação destinada a reforçar as capacidades dos responsáveis pela promoção do emprego, no acompanhamento de candidatos com deficiência.
Na África Oriental, a Tanzânia ilustra outro aspeto desta mobilização. A parceria estabelecida em março de 2025 entre o National Business and Disability Network, a Associação de Empregadores e a ONG Sightsavers evidencia o envolvimento crescente do setor privado na promoção da inclusão. Apoiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), esta iniciativa insere-se num diálogo estruturado com as empresas para promover a evolução das práticas internas.
A OIT sublinha que o objetivo é ir além dos compromissos simbólicos, integrando progressivamente políticas de emprego inclusivas nos processos de recrutamento, gestão de carreiras e adaptação das condições de trabalho. No Norte de África, Marrocos também reforçou a cooperação entre instituições públicas e atores económicos. Os acordos celebrados em 2022 com algumas cadeias de distribuição para favorecer a inserção profissional de pessoas com deficiência intelectual ilustram esta orientação.
Estes exemplos mostram que a construção de percursos de emprego duradouros depende de uma ação concertada entre poderes públicos, sociedade civil e setor privado.
Obstáculos persistentes e desafios a superar em África
Apesar destes sinais encorajadores, os obstáculos estruturais continuam significativos em todo o continente. O acesso a formações realmente adaptadas permanece insuficiente, e muitas instituições educativas e ambientes profissionais continuam a ser pouco acessíveis. A estas limitações materiais somam-se estereótipos persistentes que dificultam o acesso ao emprego formal e limitam as perspetivas de progressão, mesmo para pessoas qualificadas com deficiência.
Os dados disponíveis confirmam a dimensão do desafio. Segundo as Nações Unidas, cerca de 16% da população mundial vive com uma deficiência significativa, sendo quase 80% em países em desenvolvimento. Em África, a situação no mercado de trabalho é particularmente crítica. Um estudo citado pelo Social Business Impact indica que menos de 20% das pessoas com deficiência possuem um emprego remunerado.
Perante esta realidade, a questão vai além do simples reconhecimento de direitos. Trata-se de promover uma transformação profunda dos sistemas de formação, das práticas de recrutamento e das políticas públicas, de modo a eliminar de forma sustentável as barreiras à inclusão. Sem investimentos direcionados e sem uma mobilização contínua dos Estados, empresas e sociedade civil, a integração profissional das pessoas com deficiência continuará a progredir demasiado lentamente, limitando o potencial humano e económico de África.
Félicien Houindo Lokossou













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