- Quénia lança política nacional de formação "dual training", combinando teoria e prática, para aumentar a empregabilidade dos jovens
- A iniciativa, apoiada pela Finlândia e Alemanha, já é implementada por 100 instituições e envolve cerca de 1500 empresas com 10 mil aprendizes
O desemprego juvenil permanece um dos principais desafios econômicos do Quénia, que aposta na formação combinada para associar formação e empresas, desenvolver habilidades práticas e facilitar a inserção profissional em um mercado de trabalho carente.
Na quinta-feira, 6 de novembro, durante cerimônia realizada no Kiambu National Polytechnic (KINAP), no condado de Kiambu, o país oficializou sua política nacional de formação "dual training". Produto de vários anos de debate com os atores educacionais e o setor privado, essa política almeja transformar o sistema de formação técnica e profissional (TVET), aproximando teoria e prática para aumentar a empregabilidade dos jovens.
Concretamente, a política, adotada pelo Parlamento queniano em janeiro de 2025, estabelece um modelo onde os estudantes alternam a formação teórica no centro TVET e o aprendizado prático na empresa. De acordo com dados oficiais, mais de 10 mil aprendizes já participam dessa iniciativa em 100 instituições que cobrem 93 especialidades, em parceria com cerca de 1500 empresas. Inspirada no modelo alemão, implementado no país desde 2021, essa abordagem coloca a prática no centro da aprendizagem e promove a transição para uma economia mais qualificada e inovadora.
O programa conta com o apoio da Finlândia e da Alemanha através da agência de cooperação GIZ, no âmbito do projeto Promotion of Youth Employment and Vocational Training. Com essa iniciativa, o governo busca reduzir a lacuna entre as habilidades dos graduados e as expectativas das empresas. Ao integrar experiência prática à formação, o Quénia visa melhorar a produtividade e facilitar a inserção profissional dos jovens. "Estamos investindo em um futuro onde cada jovem tem as habilidades e a confiança necessárias para ter sucesso", enfatizou Julius Migos Ogamba, ministro da Educação.
Essa reforma surge enquanto o Quénia enfrenta um duplo desafio, ligado a uma população jovem em forte crescimento e um mercado de trabalho sob pressão. De acordo com os dados disponíveis, o país tinha quase 20 milhões de jovens entre 15 e 24 anos em 2024, com uma taxa de desemprego juvenil próxima a 11,93%, e a maioria dos empregos estava no setor informal.
Félicien Houindo Lokossou













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