A África, enfrentando grandes desafios educacionais, vê em programas de alimentação escolar um motor de progresso educacional e econômico.
Apesar de avanços, o potencial da alimentação escolar ainda é subutilizado, com 48 dos 54 países africanos tendo um programa de refeições escolares, mas apenas 20 a 30% dos alunos na África Subsaariana recebendo uma refeição diária.
Confrontada com grandes desafios na educação, com taxas ainda baixas de escolarização e sucesso, a África está apostando cada vez mais em programas de alimentação escolar para transformar o refeitório em um verdadeiro motor de progresso educacional e econômico.
Na quarta-feira, 19 de novembro, a Guiné ilustrou essa mudança reunindo, em torno de seu Ministério da Educação Pré-Universitária, uma delegação do Programa Alimentar Mundial (PAM). O objetivo era atualizar a política nacional de alimentação escolar, mas a questão ia muito além de um simples documento administrativo. O ministro Jean Paul Cedy lembrou que o refeitório é, em sua opinião, um importante insumo pedagógico, um elemento-chave para o sucesso educacional. Essa posição reforça uma tendência observável em muitos países africanos onde o refeitório já não é visto como um recurso adicional, mas como um elemento estratégico das políticas públicas.
Os dados publicados em 2025 pelo PAM confirmam esse crescimento. Na África Subsaariana, 20 milhões de crianças a mais foram integradas em programas financiados pelos governos nos últimos dois anos. O relatório "State of School Feeding Worldwide 2024" mostra que o número total de crianças recebendo uma refeição escolar aumentou de 66 para 87 milhões entre 2022 e 2024. A Etiópia e Ruanda estão entre os países mais dinâmicos, de acordo com análises disponíveis no ReliefWeb.
Uma força pedagógica e econômica
Pesquisas demonstram o impacto significativo do refeitório no sucesso educacional. Um estudo publicado em 2021 na Public Health Nutrition acompanhando 480 estudantes no sul da Etiópia mostrou que aqueles que recebiam uma refeição diária faltavam duas vezes menos às aulas e abandonavam a escola muito menos frequentemente, correndo um risco seis vezes menor. Os resultados acadêmicos também mostraram uma melhoria notável, por vezes superior a intervenções mais caras, como a formação contínua de professores.
Essa dinâmica é observada no Benim, onde as análises da PASEC (Programa de Análise dos Sistemas Educacionais da CONFEMEN) indicam que as escolas com refeitório registram melhores notas em leitura e matemática, além de terem taxas de abandono mais baixas. O PAM destaca que esses resultados estão diretamente ligados à presença de uma refeição regular e nutritiva.
O impacto econômico também é significativo, pois cada dólar investido no Malawi pode gerar até 35 dólares de benefícios, graças à melhoria do capital humano e à criação de empregos nas cadeias de abastecimento. O modelo baseado em compras locais reforça essa dinâmica ligando diretamente os refeitórios aos agricultores e cooperativas.
O Benim oferece um exemplo marcante, pois a compra de produtos locais para os refeitórios injetou mais de 23 milhões de dólares na economia em 2024. As aquisições de pequenos agricultores aumentaram em 800% em um ano e melhoraram a renda de mais de 23.000 produtores. O Burundi registrou resultados semelhantes com um aumento de 50% na renda agrícola e a atividade de 67 cooperativas representando 20.000 membros.
Um trunfo que ainda luta para se implantar plenamente
Apesar desses avanços, o potencial da alimentação escolar ainda é subutilizado. De acordo com o PAM, 48 dos 54 países africanos têm um programa de refeições escolares, o que representa cerca de 75% do continente. No entanto, a cobertura real ainda é baixa e desigual. Na África Subsaariana, apenas 20 a 30% dos alunos matriculados recebem efetivamente uma refeição diária, em alguns dos países mais frágeis, esse número cai para menos de 10%. Mesmo onde as políticas existem, muitas vezes só atingem uma parte limitada das crianças.
Os principais obstáculos ainda são orçamentos insuficientes, infraestruturas escolares frágeis, falta de cozinhas adequadas e dependência da ajuda externa. O PAM sublinha que estas restrições afetam a continuidade e a qualidade dos programas.
No entanto, o continente tem um potencial raramente visto com um crescente compromisso político, apoio técnico reforçado do PAM e o suporte da School Meals Coalition. Se esta tendência continuar, a alimentação escolar pode se tornar uma das mais poderosas ferramentas para melhorar o sucesso educacional, reduzir desigualdades e estimular as economias rurais africanas. A prioridade agora é expandir a cobertura e garantir a sustentabilidade dos programas essenciais.
Félicien Houindo Lokossou













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