Frente a uma juventude numerosa e subempregada, a África precisa transformar seu potencial demográfico em uma oportunidade real, criando empregos estáveis e duradouros para os jovens.
O continente enfrenta uma equação crucial: dispõe de uma população jovem capaz de se tornar uma força econômica significativa, mas os dados recentes mostram que essa juventude está frequentemente confinada a empregos informais, precários e mal remunerados. Com mais de 60% dos africanos com menos de 25 anos, como destaca o News Ghana, torna-se urgente oferecer a esta geração meios de acesso a um trabalho digno, condição essencial para fortalecer a estabilidade social e impulsionar um crescimento sustentável.
No entanto, as oportunidades existem. Vários setores já se destacam como motores de transformação capazes de absorver uma força de trabalho jovem e dinâmica. A agricultura modernizada, que emprega cerca de 60% dos jovens africanos, ainda é limitada pela falta de industrialização, embora pudesse ganhar produtividade e criar milhões de empregos adicionais, segundo diversos analistas. O relatório Global Employment Trends for Youth 2024 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que a agroindústria figura entre os setores mais promissores se os investimentos forem intensificados.
O setor de infraestruturas também se apresenta como uma via decisiva, impulsionado pela urbanização rápida e pela enorme demanda por habitação, estradas e equipamentos públicos. Uma análise de 2023 do think tank MATSH Africa evidencia que a construção é um dos setores mais dinâmicos para oferecer perspectivas de emprego estável a jovens frequentemente em busca de segurança econômica.
Outros setores confirmam igualmente seu potencial. Os serviços de saúde e ação social contratam à medida que a população cresce. A indústria manufatureira e o artesanato podem gerar empregos formais se receberem financiamento adequado. A economia digital já atrai milhares de jovens formados em tecnologias da informação e se impõe gradualmente como um poderoso vetor de inclusão profissional.
Formar uma juventude adequada ao mercado e liberar seu potencial empreendedor
O principal obstáculo continua sendo a questão das competências. Os sistemas educativos do continente têm dificuldade em acompanhar a rápida evolução das necessidades do mercado de trabalho. Um estudo publicado no Journal of African Development mostra que muitos jovens são formados para profissões que não correspondem às realidades econômicas atuais. A modernização dos programas é, portanto, indispensável. Reforçar os laços entre escolas e empresas, desenvolver a formação profissional, promover o ensino dual e introduzir certificações moduláveis daria aos jovens melhores oportunidades de integrar os setores promissores.
A criação de empresas constitui também um alavancador estratégico, mas os jovens africanos que desejam empreender ainda enfrentam obstáculos significativos. Um relatório do Global Development Incubator destaca que o acesso ao crédito, a falta de acompanhamento técnico e as barreiras fiscais dificultam fortemente a iniciativa empreendedora. A OIT, por sua vez, lembra que um mercado de trabalho atraente depende de rendimentos decentes, proteção social mínima e maior formalização das empresas. Em um ambiente mais estável e previsível, os jovens estariam mais inclinados a empreender, investir e gerar novos empregos.
Félicien Houindo Lokossou













King Abdulaziz International Conference Center, Riyadh - « Dawn of a global cause: Minerals for a new age of development »