Enquanto cerca de 9 em cada 10 empregos pertencem à economia informal e a inserção profissional dos jovens continua a ser um grande desafio, o Estado da Costa do Marfim prossegue a transformação do seu sistema de formação para melhor o adaptar às realidades do mercado de trabalho.
Na Costa do Marfim, o projeto Passeport Compétences dá um novo passo decisivo. É o que resulta da reunião de trabalho realizada na quarta-feira, 13 de maio, no gabinete do ministro do Emprego, da Proteção Social e da Formação Profissional, Adama Kamara. A direção-geral da Agência de Formação Profissional (AGEFOP), liderada por Karitia Coulibaly De Medeiros, apresentou as grandes orientações do programa aos altos quadros do ministério.
A mensagem é clara: o projeto Passeport Compétences tornou-se um projeto nacional prioritário. Segundo o comunicado oficial do Ministério do Emprego e da Proteção Social e da Formação Profissional, o dispositivo pretende ser « uma ferramenta inovadora » para reconciliar dois mundos que muitas vezes caminham separados: o da formação e o do emprego. A ambição é « melhor identificar, valorizar e acompanhar as competências dos formandos e trabalhadores » para os conduzir a uma inserção real e sustentável.
Em 2025, a taxa de desemprego entre jovens diplomados do ensino superior atingia 15 %, ou seja, quase seis vezes a taxa nacional. O desfasamento persistente entre as competências adquiridas e as necessidades do mercado de trabalho agrava ainda mais a dificuldade de inserção. Em 2023, um estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) já tinha alertado que o emprego juvenil no país é maioritariamente precário e mal remunerado, com cerca de 90 % dos ativos a trabalhar no setor informal.
Perante esta realidade, o ministério assume a ambição de « aproximar mais a formação das realidades do mercado de trabalho ». Uma frase curta, mas que resume uma viragem estratégica.
Da fase-piloto à implementação nacional
Lançado oficialmente em outubro de 2024 em Abidjan, o programa Passeport Compétences começou por ser testado numa fase piloto. Iniciada em novembro de 2024 na região de Sud-Comoé, essa fase foi depois alargada em 2025 aos distritos das Savanes (Bagoué, Poro e Tchologo) e à comuna de Yopougon, em Abidjan.
Hoje, o objetivo é claro: o programa deverá abranger as 31 regiões do país até ao final de 2026, formar e inserir pelo menos 100 000 beneficiários diretos e indiretos, emitir 10 000 certificações através da Validação de Competências pela Experiência (VAE) e garantir que pelo menos 80 % dos beneficiários consigam emprego assalariado ou criem a sua própria atividade. Segundo a diretora da AGEFOP, cerca de 1 000 empresas locais deverão ser diretamente impactadas pelo dispositivo.
Mas a urgência mantém-se. Todos os anos, cerca de 400 000 jovens entram num mercado que só gera 100 000 empregos formais. O Passeport Compétences não resolve sozinho este desequilíbrio, mas pretende, pelo menos, evitar que os jovens formados hoje fiquem excluídos amanhã.
Félicien Houindo Lokossou













Nairobi. Kenya