Com uma população ativa em forte crescimento, o mercado de trabalho guineense continua a ser marcado por tensões persistentes: escassez de empregos estáveis, predominância do setor informal e subemprego generalizado.
De acordo com o boletim estatístico do mercado de trabalho publicado pelo Observatório Nacional do Trabalho, em 1º de janeiro de 2025, a Agência Guineense para a Promoção do Emprego e do Empreendedorismo (AGUIPEE) registrava 53.478 pessoas à procura de emprego no país. Essa pressão sobre a oferta de trabalho ilustra os desequilíbrios persistentes entre a força de trabalho disponível e as oportunidades de emprego criadas.
Para entender esse fenômeno, é necessário considerar os principais indicadores do mercado de trabalho guineense. A taxa de participação, que mede a proporção da população em idade de trabalhar ativa no mercado, foi de 54,2% em 2025, o que significa que pouco mais da metade das pessoas com 15 anos ou mais está ativa, seja empregada, seja à procura de emprego. A taxa de emprego, representando a proporção de pessoas efetivamente ocupadas, era de 51,6%, o que demonstra que há uma pequena diferença entre a atividade real e o emprego. A maioria dos ativos tem um emprego, mas o número de pessoas sem trabalho continua a ser significativo.
A taxa de desemprego global, medida de acordo com os padrões da Organização Internacional do Trabalho e as estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INS), situava-se entre 4,8% e 5,2% em 2025. Embora moderado em comparação com a média mundial, esse número não reflete as pessoas que não estão ativamente à procura de emprego ou que ocupam cargos precários, sem segurança ou proteção social.
Pressões sobre o mercado e desafios para os jovens
A situação dos jovens agrava essas dificuldades. A taxa de desemprego dos 15-24 anos, segundo o INS, atingia cerca de 7,3%, significativamente acima da média nacional, e quase 34% deles não estavam nem empregados, nem estudando, nem em formação. Esta situação coloca uma parte significativa da juventude guineense numa vulnerabilidade socioeconômica que vai muito além da simples medida do desemprego.
O mercado de trabalho apresenta características particulares. Quase 80% dos empregos estão no setor informal, o que implica que a maioria dos trabalhadores não beneficia de contratos estáveis, nem de proteção social, nem de perspectivas claras de evolução profissional. Essa realidade reduz a qualidade dos empregos e revela que os números oficiais podem esconder condições de trabalho precárias, mesmo quando as estatísticas parecem indicar uma inserção profissional satisfatória.
Neste contexto, o número total de pessoas inscritas como demandantes de emprego no início de 2025 não é uma estatística irrelevante, mas revela sim o déficit de empregos formais numa economia onde a maior parte da população ativa depende do setor informal. Esses dados ressaltam a importância de fortalecer a articulação entre formação, qualificação e criação de empregos duradouros para melhorar o acesso a trabalho de qualidade na Guiné.
Félicien Houindo Lokossou












