Todos os anos, por volta de 2 de janeiro, as ruas da Cidade do Cabo acolhem o Cape Town Minstrel Carnival, também conhecido como Kaapse Klopse. Com raízes no século XIX, o evento combina música, desfiles e memória coletiva, permanecendo como um elemento visível da paisagem cultural da África do Sul.

O Cape Town Minstrel Carnival acontece sobretudo no centro da cidade, onde grupos organizados desfilam pelas ruas com trajes coordenados, apresentando canções e movimentos coreografados. O evento está ligado ao Tweede Nuwe Jaar, ou “Segundo Ano Novo”, uma data historicamente associada ao período da escravidão no Cabo. O dia 2 de janeiro era tradicionalmente o único dia de folga concedido às pessoas escravizadas, tornando-se gradualmente um momento de expressão coletiva.

Com o passar do tempo, essa data deu origem a uma tradição cultural própria, moldada por múltiplas influências. Os desfiles refletem uma combinação de práticas africanas locais, formas musicais europeias e elementos inspirados nos minstrel shows afro-americanos do século XIX. Essa mistura é perceptível nos arranjos musicais, na estética dos figurinos e na estrutura geral das apresentações.

Os participantes organizam-se em grupos conhecidos como klopse, que se preparam durante vários meses para o evento. As apresentações combinam percussão, instrumentos de sopro, canto e movimentos coordenados. As letras abordam temas variados, que vão de referências históricas a observações sobre a vida cotidiana. O africâner e o inglês são as línguas mais utilizadas durante as performances.

Nos dias que antecedem o desfile principal, eventos preparatórios como o Kaapse Klopse Voorsmakie permitem que os grupos se apresentem em público antes do 2 de janeiro. Após o carnaval de rua, realizam-se competições formais em estádios ou espaços fechados, onde os grupos são avaliados segundo critérios como qualidade musical, coreografia, disciplina e apresentação.

Atualmente, o Cape Town Minstrel Carnival funciona tanto como um evento popular quanto como um espaço de transmissão cultural. Ele reflete a história social da Cidade do Cabo ao mesmo tempo em que se adapta à vida urbana contemporânea, mantendo uma ligação entre as experiências do passado e as formas de expressão do presente.












