Frente à uma persistente falta de competências técnicas e a uma crescente procura por empregos qualificados em África, vários Estados intensificam os seus esforços para modernizar os seus sistemas de formação profissional.
Durante a 4.ª sessão da Comissão Binacional (BNC), realizada na semana passada em Maputo, a África do Sul e Moçambique oficializaram um acordo destinado a modernizar a sua cooperação no ensino superior e na formação profissional. Segundo o relatório publicado pelo governo sul-africano, ambos os países veem este acordo como um instrumento para melhorar a qualidade dos seus sistemas educativos e responder às necessidades urgentes do mercado de trabalho.
O acordo foca-se no fortalecimento dos cursos técnicos e profissionais. De acordo com o governo sul-africano, os dois países pretendem multiplicar a troca de programas, recursos pedagógicos e boas práticas, permitindo que os colégios técnicos adaptem as suas ofertas. Universidades, centros de formação e agências de garantia de qualidade serão mobilizados para facilitar o reconhecimento de diplomas e promover o surgimento de novos cursos.
Para Pretória, esta cooperação visa melhorar as competências dos jovens, aumentar a sua empregabilidade e incentivar o espírito empresarial. A SAnews indica que a África do Sul aposta em parcerias reforçadas entre os atores da formação e da certificação para apoiar o crescimento e colmatar o défice de competências nos setores estratégicos. Do lado moçambicano, o acordo abre caminho a um acesso mais amplo a formação técnica de qualidade, ao reforço da investigação aplicada e a uma maior capacidade de atuação dos institutos técnicos, um desafio estratégico para acompanhar a transformação económica em curso.
Esta iniciativa surge num contexto em que ambos os países enfrentam desafios estruturais na formação profissional e na inserção dos jovens. Na África do Sul, o desemprego afeta 33,2 % da população ativa e sobe para 62,4 % entre os jovens de 15–24 anos, segundo as estatísticas oficiais do primeiro trimestre de 2025. Quase um quarto dos jovens nesta faixa etária são classificados como NEET (nem empregados, nem em educação, nem em formação), de acordo com o perfil nacional TVET. Apesar do aumento das inscrições nos colégios técnicos, que acolheram 564 089 aprendentes em 2023, a oferta continua insuficiente para atender às necessidades massivas de competências técnicas.
Moçambique enfrenta um contexto semelhante, marcado pela falta de infraestruturas adequadas e por uma oferta de formação ainda pouco ajustada às realidades económicas. Diversas análises internacionais destacam os obstáculos que os jovens encontram para adquirir competências práticas ou desenvolver atividades geradoras de rendimento, constatação confirmada por um estudo recente sobre o empreendedorismo jovem.
Félicien Houindo Lokossou













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