O país, cuja economia foi profundamente afetada pelo colapso do setor agrícola na sequência da reforma agrária conduzida pelo ex-presidente Robert Mugabe, bem como por décadas de hiperinflação e de rutura com os financiadores internacionais, procura consolidar a sua estabilização económica com o apoio técnico do Fundo Monetário Internacional.
A economia do Zimbabwe deverá registar um crescimento de pelo menos 8,5% em 2026, o ritmo mais rápido dos últimos 14 anos, impulsionado, nomeadamente, pelos efeitos positivos das reformas previstas no Programa de Referência (Staff-Monitored Program – SMP) recentemente acordado com o Fundo Monetário Internacional. O anúncio foi feito por George Guvamatanga, secretário permanente do Ministério das Finanças, Desenvolvimento Económico e Promoção do Investimento, na terça-feira, 10 de fevereiro, durante a conferência mineira Mining Indaba, realizada na Cape Town, na África do Sul.
«A economia poderá crescer pelo menos 8,5% em 2026 e as taxas poderão atingir 9% a 10%, superando largamente a nossa previsão anterior de 6,6%», declarou o alto responsável governamental, acrescentando que «esta aceleração deverá ser impulsionada pelas reformas ancoradas no programa de referência do FMI, juntamente com uma recuperação contínua nos setores da agricultura e das minas».
Caso se concretize, esta nova previsão representará o nível de crescimento mais elevado para o Zimbabwe desde 2012, e quase o dobro dos 5% projetados pelo FMI para este ano. A instituição de Bretton Woods anunciou, a 6 de fevereiro, ter chegado a acordo com o país da África Austral sobre um programa de referência, que implica a implementação de reformas económicas sob supervisão técnica, com vista a consolidar os progressos recentes na estabilização macroeconómica.
Embora não envolva desembolsos financeiros imediatos, este programa — que constitui um acordo informal entre um país membro e os serviços do FMI — poderá, se for bem executado, abrir caminho a um programa formal de financiamento ou à utilização recorrente de assistência de emergência da instituição multilateral.
Progressos na gestão macroeconómica
O programa de referência visa consolidar os avanços recentes na estabilização da economia zimbabueana, reforçar os quadros de política orçamental e monetária, melhorar o funcionamento do mercado cambial e avançar nas reformas de governação, de modo a sustentar um crescimento mais robusto e inclusivo.
Recorde-se que o Zimbabwe entrou numa profunda crise económica após a reforma agrária lançada no final da década de 1990 pelo regime de Robert Mugabe, que expropriou grandes proprietários brancos em benefício da população negra. Esta política provocou o colapso da produção agrícola e das exportações, a fuga de investidores estrangeiros e a acumulação de cerca de 13 mil milhões de dólares em atrasos de pagamento junto do Banco Mundial, do Banco Africano de Desenvolvimento, do Banco Europeu de Investimento e dos países do Clube de Paris.
Perante o colapso económico, as autoridades recorreram à emissão monetária excessiva, o que desencadeou um prolongado período de hiperinflação e levou, em 2009, ao abandono da moeda nacional — o dólar zimbabueano — em favor do dólar norte-americano. Ainda privado do apoio regular dos financiadores internacionais, o país enfrentou grandes dificuldades para obter novas linhas de crédito e atrair investimento estrangeiro essencial à recuperação económica.
Em fevereiro de 2025, o FMI condicionou qualquer apoio financeiro a «uma reestruturação completa da dívida externa, incluindo a regularização dos atrasados e um plano de reformas compatível». No final de janeiro de 2026, o Ministério das Finanças anunciou progressos na gestão macroeconómica, destacando a descida da inflação para menos de 10% — pela primeira vez desde 1997 — e o aumento das reservas cambiais para mais de 1,2 mil milhões de dólares, sustentando a nova moeda indexada ao ouro, o Zimbabwe Gold (ZiG). Segundo o ministério, estes resultados refletem «uma disciplina orçamental rigorosa e uma política monetária coordenada com o Banco Central».
Walid Kéfi













Marrakech. Maroc