À medida que os modelos preditivos ganham desempenho a nível global, a inteligência artificial (IA) está a afirmar-se gradualmente no setor mineiro africano. No Botswana, várias empresas já a utilizam para aprimorar a exploração de metais como cobre e cobalto.
No Botswana, a mineradora júnior Tsodilo Resources anunciou, no domingo, 29 de março, uma parceria com o americano Battelle Memorial Institute para integrar a IA na exploração do seu projeto de terras raras Gcwihaba. Esta iniciativa insere-se numa dinâmica já observada no país, marcada pelo uso desta tecnologia na pesquisa de depósitos de outros metais estratégicos.
Em detalhe, esta expansão da IA no setor mineiro botswanense tem sido impulsionada por empresas britânicas como Botswana Diamonds e Aterian, ativas no cobre, cobalto, níquel e zinco. Através do seu programa, a Tsodilo pretende integrar Gcwihaba nesta tendência, desenvolvendo com a Battelle um modelo preditivo de IA baseado em física e treinado com dados de exploração existentes.
Esta ferramenta permitirá priorizar as zonas com maior probabilidade de mineralização em terras raras nas áreas de prospeção do projeto. Uma vez implementado, o modelo será progressivamente otimizado à medida que novos resultados de perfuração enriquecerem a base de dados. Com esta abordagem, a Tsodilo pretende reduzir os riscos ligados à exploração e acelerar as descobertas no local.
«No setor mineiro em geral, a IA está a ser cada vez mais adotada para fornecer uma segmentação imparcial e baseada em dados, […] permitindo uma classificação, priorização e previsão mais confiáveis das áreas de perfuração de alta probabilidade, enquanto reduz os riscos de exploração. Esta parceria com a Battelle permite-nos aprofundar o nosso conhecimento sobre o nosso projeto atual de minerais críticos e terras raras e expandir potencialmente a mineralização conhecida», afirmou James Bruchs, presidente da Tsodilo Resources.
Esta evolução ocorre enquanto a empresa procura identificar os seus primeiros depósitos no projeto Gcwihaba. Para tal, foi anunciado um programa de perfuração de até 15.000 metros para este ano, visando não apenas terras raras, mas também cobre, cobalto, níquel e vanádio. Resta agora avaliar em que medida a IA irá otimizar estes trabalhos nos próximos meses.
Embora as implementações observadas no Botswana ainda não tenham resultado em descobertas significativas, existem exemplos de sucesso noutros locais do continente. O caso mais conhecido é a descoberta do depósito de cobre de Mingomba, na Zâmbia, pela KoBold Metals, empresa que fez da IA um pilar da sua estratégia de exploração.
Aurel Sèdjro Houenou













Bamako