Com a futura mina de zinco Tala Hamza, a Argélia pretende reforçar o papel do setor mineiro na diversificação de uma economia ainda largamente dependente dos hidrocarbonetos. O objetivo é acelerar os trabalhos para o início da construção em 2026.
A empresa mineira australiana Terramin reviu para 415 milhões USD o investimento necessário para desenvolver a mina de zinco Tala Hamza, na Argélia. Integrado numa atualização do estudo de viabilidade publicado na segunda-feira, 30 de março, este valor representa um aumento em relação aos 341 milhões USD estimados no estudo inicial de 2018.
Esta revisão ocorre num contexto de otimização do projeto, em resposta tanto às evoluções do mercado como aos ajustes técnicos realizados nos últimos anos. Embora o custo tenha aumentado, as perspetivas de produção também registam uma melhoria significativa. Tala Hamza deverá produzir, em média, cerca de 178.000 toneladas de concentrado de zinco por ano (em comparação com 129.300 toneladas previstas anteriormente), além de 33.000 toneladas de chumbo como subproduto.
O modelo baseia-se numa duração de vida de 20 anos, com o investimento a ser recuperado no quarto ano de exploração. O valor presente líquido (VPL) após impostos é de 640 milhões USD e a taxa interna de retorno (TIR) é de 24 %.
Esta atualização surge após o lançamento dos trabalhos preparatórios, depois de vários meses de atraso. A próxima etapa crucial será a mobilização do financiamento necessário para a construção. A Terramin indica contar com o apoio da Agência Argélia de Promoção de Investimentos (AAPI), enquanto decorrem negociações com um «grande banco público argelino» para o financiamento através de empréstimo.
O capital da futura mina será controlado maioritariamente pelo Estado argelino (51 %) contra 49 % da empresa australiana. Este projeto constitui um dos pilares da estratégia nacional de diversificação de uma economia ainda largamente dominada pelos hidrocarbonetos, sendo que a indústria mineira representa apenas cerca de 1 % do PIB argelino.
Tala Hamza insere-se também num contexto de mercado relativamente volátil para o zinco, afetado pela fraca procura persistente. Segundo a Trading Economics, os contratos futuros de zinco situam-se atualmente nos 3.150 USD por tonelada, próximos dos níveis mais baixos desde dezembro.













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