Financiado em 7 milhões de dólares, este projeto apresenta-se como uma iniciativa destinada a reforçar a coexistência pacífica, promover quadros de diálogo inclusivos e incentivar uma governação concertada dos recursos naturais nos três países.
No âmbito de uma cooperação regional, o Senegal, o Mali e a Mauritânia lançaram um projeto transfronteiriço que «visa fazer da gestão sustentável da água um alavanca estratégica de cooperação, de paz e de resiliência climática nas zonas fronteiriças dos três países», precisa o comunicado de imprensa. No total, o projeto beneficiará 686 000 pessoas, das quais 151 000 diretamente impactadas e 535 000 indiretamente.
Lançado na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, o projeto intitula-se «Investimento transfronteiriço em torno da gestão da água, da segurança climática e da consolidação da paz nos espaços fronteiriços da Mauritânia, do Mali e do Senegal». É financiado em 7 milhões de dólares pelo Fundo para a Consolidação da Paz e será executado ao longo de dois anos, sob coordenação conjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
«O projeto incide sobre zonas fronteiriças [como Guidimakha, Kayes e Tambacounda], expostas a vulnerabilidades multidimensionais ligadas às alterações climáticas e à escassez dos recursos hídricos», sublinha o comunicado. Prevê a construção e reabilitação de infraestruturas hidráulicas, o reforço dos mecanismos comunitários de prevenção e gestão de conflitos ligados ao acesso à água, bem como a consolidação de sistemas de alerta precoce, de modo a antecipar choques climáticos. O projeto insere-se num contexto de pressão demográfica e de intensificação dos riscos climáticos.
«Ao investir numa gestão concertada e inclusiva da água, este projeto contribui para transformar um recurso vital, frequentemente fonte de tensões, num vetor de diálogo, de cooperação e de paz duradoura nos espaços fronteiriços do Sahel», declarou Lila Pieters Yahia, coordenadora residente do sistema das Nações Unidas na Mauritânia.
Lila Pieters Yahia, coordenadora residente do sistema das Nações Unidas na Mauritânia
Entre secas e conflitos, o acesso à água fragiliza-se
Na Mauritânia, vários bairros de Nouakchott registaram graves escassezes de água no ano passado. Segundo a UNICEF, mais de 22% da população mauritana não tem acesso a uma fonte básica de água potável, revelando fortes disparidades no país. A isto junta-se o impacto das alterações climáticas, que provocam variações imprevisíveis da precipitação, períodos prolongados de seca e degradação dos recursos hídricos.
No Mali, a situação humanitária continua a deteriorar-se, com um aumento dos deslocamentos internos e dificuldades de acesso aos serviços básicos. Os conflitos armados e as perturbações climáticas agravam as condições de vida.
Quanto ao Senegal, a taxa global de acesso à água potável é estimada em 98,8% em meio urbano e 91% em meio rural, segundo dados do Ministério da Água e do Saneamento. No entanto, algumas regiões continuam a apresentar taxas muito baixas de acesso à água potável.
Os governos dos três países implementaram programas destinados a combater os problemas hídricos, nomeadamente através da construção de furos e da instalação de pontos de água alimentados por energia solar.
Lydie Mobio













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