O governo marfinense afirma ter reforçado os seus investimentos sociais no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2021-2025. As despesas denominadas “pró-pobres” atingiram 6,8 mil milhões de dólares durante o período, enquanto o número de agregados familiares beneficiários das redes de proteção social mais do que duplicou.
As despesas “pró-pobres” na Costa do Marfim passaram de 3066 mil milhões de francos CFA (5,44 mil milhões de dólares) em 2021 para 3845 mil milhões de francos CFA (6,82 mil milhões de dólares) em 2025, representando um aumento de 25%, segundo o balanço do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2021-2025 apresentado pelo ministro do Planeamento e Desenvolvimento, Souleymane Diarrassouba.
Apresentado como o roteiro económico e social do governo para cinco anos, o programa visava, entre outros objetivos, melhorar o capital humano, reforçar o acesso aos serviços sociais básicos e reduzir a pobreza. Este aumento das despesas sociais traduziu-se num reforço dos mecanismos de assistência pública. “O número de agregados familiares beneficiários das redes de proteção social passou assim de 227 mil em 2020 para 527 mil em 2025”, destacou o responsável.
Investimentos sociais em forte progressão
No setor da educação, o governo indica ter construído 6777 salas de aula, bem como 227 colégios e liceus entre 2021 e 2025. A taxa de conclusão do primeiro ciclo do ensino secundário passou de 60,7% em 2021 para 81,1% em 2024.
No domínio da saúde, mais de 1051 estabelecimentos de saúde primários foram construídos ou reabilitados. Assim, a proporção da população que vive a menos de cinco quilómetros de um centro de saúde passou de 70,1% em 2020 para 82% em 2025. Além disso, mais de 23 milhões de pessoas foram inscritas na Cobertura Universal de Saúde (CMU) até ao final de 2025.
As autoridades marfinenses destacam igualmente os progressos realizados no acesso à água potável, com uma taxa de acesso estimada em 86,7%, enquanto a capacidade de produção de água em Abidjan ultrapassa agora um milhão de metros cúbicos por dia.
“Este balanço satisfatório é o resultado de um planeamento rigoroso, de reformas estruturais coerentes e de uma parceria de confiança entre o Estado, o setor privado, a sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento”, declarou o Sr. Diarrassouba.
Um crescimento com efeitos limitados na redução da pobreza
Os resultados são, contudo, relativizados por um relatório do Banco Mundial publicado em abril de 2026. O documento indica que, apesar de um crescimento económico sustentado e resiliente entre 2011 e 2023, a Costa do Marfim registou progressos limitados na redução da pobreza. Embora figure entre as economias mais dinâmicas da África Subsaariana, cada aumento de 1% do PIB per capita resultou apenas numa redução de 0,6% da taxa de pobreza, um nível inferior às médias regional e mundial. Esta fraca eficácia do crescimento na luta contra a pobreza explica-se, nomeadamente, pelas reduzidas capacidades produtivas da mão de obra marfinense, associadas ao défice de capital humano e material.
Este balanço surge num contexto em que o governo procura consolidar os ganhos sociais alcançados nos últimos anos, apesar dos efeitos da pandemia da covid-19, das pressões inflacionistas globais e das perturbações económicas internacionais.
O executivo marfinense e o Sistema das Nações Unidas lançaram oficialmente, na terça-feira, 28 de abril, o novo quadro de cooperação para o desenvolvimento sustentável (CCDD) 2026-2030, destinado a acelerar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Costa do Marfim, com um financiamento superior a mil milhões de dólares. Alinhado com o PND 2026-2030, o quadro assenta na transformação estrutural da economia e na criação de emprego para jovens e mulheres, na melhoria do acesso aos serviços sociais e no reforço da coesão social, bem como na resiliência ambiental e na transição para uma economia verde.
Segundo dados oficiais, a taxa de pobreza na Costa do Marfim passou de 55,4% em 2011 para 37,5% em 2021, enquanto o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) evoluiu de 0,557 em 2021 para 0,582 em 2023.
Carelle Yourann (estagiária)













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