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2025, um mau ano para os preços do cacau

2025, um mau ano para os preços do cacau
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026

Em 2024, o cacau tinha-se imposto como a matéria-prima com melhor desempenho, em todas as categorias, à frente do gás natural e do ouro. No entanto, o ano de 2025 marca um recuo.

Durante o dia de terça-feira, 20 de janeiro, os contratos futuros de cacau atingiram o seu nível mais baixo dos últimos dois anos. Em Londres, os preços caíram para 3.315 libras (4.474 USD) por tonelada, enquanto na ICE de Nova Iorque atingiam 4.612 USD. Essa dinâmica observada no início do ano insere-se na continuidade da evolução dos preços em 2025. Após uma explosão em 2024, o mercado viveu um ano negro.

No total, em Nova Iorque, os preços caíram 48% no ano passado, depois de terem subido 178%, enquanto em Londres o contrato registou uma perda de 50% em 2025, após um ganho de 158% no ano anterior. Na origem dessa tendência estão as perspetivas de aumento da produção e de queda da procura mundial de amêndoas de cacau, devido ao encarecimento dos preços. Após três anos consecutivos de défice (2021/2022 a 2023/2024), o mercado entrou numa fase de excedente.

Segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO), deverá ser registado um excedente de 49.000 toneladas em 2024/2025, com os três principais produtores a apresentarem aumento da oferta. Na Costa do Marfim, a colheita é esperada em 1,85 milhão de toneladas, contra 1,67 milhão de toneladas no ano anterior, enquanto no Gana e no Equador a produção deverá subir para 600.000 toneladas e 480.000 toneladas, respetivamente (contra 530.000 e 430.000 toneladas). Para a campanha 2025/2026, o mercado deverá registar um excedente de 250.000 toneladas, segundo dados recentes do banco cooperativo neerlandês Rabobank.

Que perspetivas para 2026?

No quarto trimestre de 2025, os volumes de moagem caíram 4,82%, para 197.022 toneladas na Ásia, enquanto na Europa recuaram 8,3%, para 304.470 toneladas, o nível mais baixo em 21 anos. E, embora nos Estados Unidos as moagens tenham registado um ligeiro aumento de 0,35%, para 103.117 toneladas, os observadores concordam, de modo geral, que a procura dos consumidores permanece mais moderada, o que pesa sobre as perspetivas de recuperação do mercado.

A Barry Callebaut, maior fabricante de chocolate do mundo, anunciou um aumento de 6,4% no volume de negócios, para 3,67 mil milhões de francos suíços (cerca de 4,64 mil milhões de dólares), no seu primeiro trimestre de 2025/2026, que vai de setembro a novembro de 2025, mas com uma queda de 9,9% nos volumes de vendas. Essa tendência está ligada à redução das compras por parte dos consumidores, devido ao aumento dos preços dos produtos nas lojas.

Segundo vários analistas, os próximos meses serão decisivos para a evolução do mercado, tanto do lado da produção como dos níveis de stocks na África Ocidental, e mais particularmente na Costa do Marfim. Na principal economia da UEMOA, as autoridades anunciaram esta semana a compra de 123.000 toneladas de cacau não vendidas nas zonas de produção, num contexto de fraca procura pelas amêndoas.

Espoir Olodo

 

 

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