A queda do investimento direto estrangeiro (IDE) foi mais acentuada no Norte de África do que na parte Sul. De forma geral, os fluxos internacionais tendem a concentrar-se em algumas regiões economicamente prósperas, em detrimento dos países em desenvolvimento.
Os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) para África caíram 38 % em 2025, situando-se em 59 mil milhões de dólares norte-americanos, segundo um relatório publicado na terça-feira, 20 de janeiro, pela ONU Comércio e Desenvolvimento (anteriormente Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento – CNUCED). Intitulado Global Investment Trends Monitor, o documento precisa que a diminuição do IDE foi mais pronunciada no Norte de África, que captou apenas 17 mil milhões de dólares ao longo do último ano, contra 51 mil milhões em 2024, registando assim uma forte retração de 67 %.
O forte aumento do IDE nesta sub-região em 2024 resultou essencialmente do megaprojeto de desenvolvimento turístico e urbano da península egípcia de Ras El-Hekma, liderado pela Abu Dhabi Developmental Holding Company, o fundo soberano do emirado de Abu Dhabi. A África Subsaariana, por sua vez, atraiu 42 mil milhões de dólares de IDE em 2025, o que corresponde a um recuo de apenas 6 % em comparação com 2024.
De modo geral, os fluxos captados pelo continente africano no ano passado seguiram a tendência global observada nas economias em desenvolvimento, onde os IDE de entrada recuaram 2 %, totalizando 877 mil milhões de dólares, o que representa 55 % do total registado à escala mundial. Os países de baixo rendimento foram os mais duramente afetados, com três quartos dos países menos desenvolvidos a registarem fluxos estagnados ou em queda.
Os fluxos para as economias desenvolvidas aumentaram, por sua vez, 43 %, atingindo 728 mil milhões de dólares, impulsionados pelo bom desempenho da Europa e dos centros financeiros. A União Europeia registou um crescimento de 56 %, sustentado por importantes aquisições transfronteiriças e por uma recuperação em economias como a Alemanha, a França e a Itália.
À escala mundial, o investimento direto estrangeiro aumentou 14 % em 2025, alcançando cerca de 1 600 mil milhões de dólares. Mais de 140 mil milhões de dólares deste aumento provêm do acréscimo dos fluxos que transitam pelos centros financeiros mundiais. Se estes fluxos em trânsito não forem considerados, o IDE mundial aumentou apenas cerca de 5 %, o que sugere uma fragilidade da recuperação do investimento subjacente.
O relatório indica ainda que o investimento internacional em infraestruturas diminuiu 10 % em 2025, principalmente devido a uma forte redução dos projetos de energias renováveis, um setor no qual os investidores estão a reavaliar os riscos de rendimentos e as incertezas regulamentares. Os investidores nacionais têm vindo a colmatar cada vez mais parte do défice registado, mas a CNUCED observa que este desvio aprofunda ainda mais as insuficiências de investimento nos países que dependem do financiamento internacional para grandes projetos de infraestruturas.
Para 2026, a instituição prevê que os fluxos de IDE aumentem de forma modesta, nomeadamente devido aos efeitos persistentes das tensões geopolíticas e da fragmentação económica.
Walid Kéfi













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