O turismo na África Oriental encontra-se numa fase de crescimento, impulsionado pela recuperação pós-pandemia e pela concorrência entre destinos regionais. Num contexto em que os países procuram captar mais fluxos internacionais, as estratégias baseiam-se cada vez mais no alívio das políticas de visto, na melhoria da conectividade aérea e na valorização dos recursos naturais.
O Quénia confirma a sua posição como principal destino turístico da África Oriental em 2025, superando novamente a Tanzânia, num contexto de forte recuperação do setor a nível continental. Impulsionada por reformas incentivadoras e pela dinâmica da conectividade aérea, Nairobi consolida a sua liderança regional, enquanto Dar es Salaam continua a ganhar terreno.
De acordo com dados publicados pelo Ministério do Turismo e Vida Selvagem do Quénia, o país registou um aumento de 9% nas chegadas de visitantes internacionais, atingindo 2,7 milhões em 2025, contra 2,47 milhões em 2024. Ao longo do ano, o Quénia recebeu cerca de 7,9 milhões de turistas, dos quais 5,2 milhões foram viajantes domésticos.
Este desempenho traduziu-se em receitas estimadas em cerca de 500 mil milhões de xelins quenianos (aproximadamente 3,9 mil milhões USD), confirmando o papel estratégico do turismo na economia nacional. O ministério atribui esta progressão à política de isenção de vistos implementada pelas autoridades, bem como ao aumento do número de ligações aéreas internacionais, que melhoraram a atratividade do país.
A Tanzânia, por seu lado, registou resultados sólidos, embora ainda inferiores. O país anunciou ter recebido mais de 2,09 milhões de visitantes internacionais entre janeiro e novembro de 2025, sem divulgar um balanço anual consolidado. Em 2024, o fluxo total de turistas, incluindo o turismo doméstico, ascendeu a 5,3 milhões.
O país tem como objetivo atingir 8 milhões de turistas até 2030, um nível comparável ao já alcançado pelo Quénia em 2025. Esta trajetória ilustra a concorrência entre os dois principais destinos da África Oriental, que procuram captar uma fatia crescente dos fluxos turísticos internacionais.
Uma dinâmica continental favorável
Para além desta rivalidade regional, ambos os países inserem-se numa dinâmica positiva a nível continental. A África continua a reforçar a sua atratividade turística, dominada atualmente por destinos como Marrocos (19,8 milhões de turistas), Egito (19 milhões), Tunísia (11 milhões) e África do Sul (10,48 milhões).
Segundo o mais recente relatório do World Tourism Barometer, publicado em janeiro de 2026 pela ONU Turismo, o continente africano recebeu cerca de 81 milhões de turistas internacionais em 2025, um aumento de 8% face a 2024. Este crescimento constitui a expansão mais rápida a nível mundial, sustentado pelos resultados notáveis da África do Norte (+11%).
Neste contexto, a concorrência entre o Quénia e a Tanzânia poderá intensificar-se, num cenário de transformação estrutural do turismo africano. Se Nairobi beneficia atualmente de uma vantagem decorrente da antecipação das reformas (vistos, conectividade, promoção), Dar es Salaam ainda dispõe de margens significativas de progressão, nomeadamente na diversificação da oferta e na melhoria das infraestruturas.
A médio prazo, a capacidade de ambos os países em captar uma fatia crescente dos fluxos dependerá menos dos volumes e mais do valor gerado: valorização dos serviços, desenvolvimento do turismo sustentável e integração reforçada nas cadeias de transporte aéreo e regional.
Henoc Dossa













Palais des Expositions, Alger (Safex)