A Tanzânia multiplica as iniciativas para acelerar a modernização das suas infraestruturas. As autoridades consideram a expansão das estradas asfaltadas como uma alavanca essencial para melhorar a conectividade interna, reduzir os custos logísticos e apoiar as ambições económicas do país.
O governo tanzaniano prevê lançar importantes projetos de construção rodoviária durante o exercício orçamental de 2026/27, com financiamento baseado, nomeadamente, na emissão de obrigações para infraestruturas. Apresentada ao Parlamento pelo ministro das Obras Públicas, Abdallah Ulega, esta iniciativa insere-se numa estratégia que visa diversificar as fontes de financiamento, de modo a responder à crescente procura por infraestruturas de transporte.
Segundo as autoridades, foi atribuída uma verba de 2 400 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 918 milhões de dólares americanos) às despesas de desenvolvimento, sendo uma parte significativa destinada a projetos rodoviários. O governo pretende assim melhorar a mobilidade urbana, facilitar o escoamento das produções agrícolas para os mercados e o acesso aos serviços sociais, e apoiar de forma mais ampla o crescimento económico.
De acordo com dados oficiais, a Tanzânia dispõe de uma rede rodoviária de 37 734,41 km, dos quais apenas cerca de um terço, ou seja 12 225,26 km, é asfaltado. Os novos investimentos visam acelerar a modernização e a expansão das infraestruturas, de forma a melhorar a conectividade entre as diferentes regiões do país. Esta política insere-se num plano mais amplo de reestruturação do sistema nacional de transportes para um modelo multimodal.
As infraestruturas rodoviárias deverão assim complementar as redes ferroviárias atualmente em desenvolvimento, de modo a constituir um sistema integrado que ligue as regiões interiores, bem como o hinterland internacional do Porto de Dar es Salaam, que serve vários países sem acesso ao mar na África Oriental e Austral. Através desta dinâmica, a Tanzânia procura consolidar a sua posição como plataforma logística e portuária de referência na região, num contexto de concorrência crescente entre os corredores de transporte da África Oriental.
Persistem, contudo, vários desafios. O recurso a obrigações de infraestruturas exige uma forte capacidade de mobilização de investidores, bem como uma gestão rigorosa da dívida pública. Acrescem ainda os desafios relacionados com os custos de manutenção das estradas, os prazos de execução das obras e a coordenação com os projetos ferroviários, de modo a garantir a eficiência da futura rede multimodal.
Henoc Dossa













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