Mali fecha escolas e universidades até 9 de novembro devido à crise de combustível, exacerbando a insegurança educacional causada por ataques a escolas
Grupo jihadista JNIM, ligado à Al Qaeda, está por trás de ataques que causam falta grave de combustível e prejudicam o deslocamento de estudantes e de pessoal educacional
O Mali fechou escolas e universidades até 9 de novembro. A crise do combustível agravou a insegurança na educação em um país já fragilizado por ataques às escolas, baixo engajamento dos professores e o risco de recrutamento de menores.
No domingo, 26 de outubro, a junta militar do Mali anunciou a suspensão das escolas e universidades por duas semanas devido às dificuldades de deslocamento do pessoal e dos estudantes. Essa decisão afeta centenas de milhares de alunos, provocando atrasos nos programas e possíveis reagendamentos de exames. As cantinas, transportes e serviços escolares também estão perturbados, complicando a rotina das instituições.
O Ministro da Educação, Amadou Sy Savané, afirmou que as autoridades estão "fazendo tudo o possível" para resolver a crise, a fim de que as aulas possam ser retomadas em 10 de novembro.
O fechamento é resultado de uma grave escassez de combustível, causada por ataques repetidos do grupo jihadista JNIM, afiliado à Al Qaeda. Os insurgentes têm como alvo regular caminhões-tanque provenientes do Senegal e da Costa do Marfim. Esses ataques levaram ao fechamento de muitos postos de gasolina e a uma desaceleração notável da atividade econômica em Bamako e em várias outras cidades, incluindo Mopti, Ségou e San.
A eletricidade, predominantemente térmica, agora está disponível apenas seis horas por dia em algumas áreas, enquanto o gás butano enfrenta escassez e aumento de preços.
Esta crise ocorre em um contexto educacional já ameaçado. De acordo com o Banco Mundial (2024), cerca de 40% das crianças em idade escolar não estão matriculadas no Sahel central, e mais de 11 mil escolas foram fechadas devido aos conflitos. Human Rights Watch e UNICEF relatam ataques, saques e ameaças direcionados a professores e estudantes, com escolas sendo requisitadas por grupos armados. Em algumas áreas controladas por jihadistas, o ensino em francês e a coeducação são proibidos, assim como o uso de uniformes. A falta de acesso à educação aumenta a vulnerabilidade das crianças, que correm o risco de serem recrutadas ou forçadas a se casar.
Para mitigar a crise energética, o Mali irá contar com um acordo com a Rússia para o fornecimento de 160.000 a 200.000 toneladas de produtos petrolíferos. No entanto, sem a segurança duradoura das estradas e a diversificação das fontes de energia, o país permanece exposto a novas crises.
Olivier de Souza












