Enquanto o seu sistema educativo continua a ter dificuldades em formar uma mão de obra alinhada com as necessidades do mercado, Adis-Abeba volta-se para Nicósia para construir uma ponte académica em direção à Europa.
Durante um encontro em Adis-Abeba, a Etiópia e Chipre iniciaram consultas políticas bilaterais formais para reforçar a cooperação no domínio da educação. Segundo informações divulgadas na terça-feira, 12 de maio, pela Ethiopian News Agency, o evento marca uma nova etapa nas relações entre os dois países. O embaixador Mulie Tarekegn, diretor-geral adjunto para os assuntos europeus e americanos no Ministério dos Negócios Estrangeiros etíope, afirmou que estas conversações refletem “um compromisso comum para reforçar laços baseados no respeito mútuo”.
O acesso ao espaço académico europeu em foco
O novo mecanismo de diálogo não começa do zero. Stelios Makriyiannis, chefe do departamento África no Ministério dos Negócios Estrangeiros cipriota, afirmou, segundo a Ethiopian News Agency, que este quadro “irá concentrar-se na implementação dos acordos existentes, em particular nos domínios da educação e do ensino superior”. Estão previstos intercâmbios universitários e culturais, e ambas as partes pretendem também explorar novas oportunidades de investimento ligadas à formação.
Chipre, Estado-membro da União Europeia, tem apoiado esforços para aliviar as restrições de vistos impostas à Etiópia, incluindo durante a sua presidência do Conselho da UE em 2012. Para Adis-Abeba, esta alavanca é estratégica, pois abre caminho a uma maior mobilidade de estudantes e investigadores etíopes no espaço europeu. Makriyiannis sublinhou “a importância estratégica das relações entre a Etiópia e a União Europeia”.
Um sistema sob pressão, uma reforma em curso
Este acordo surge num contexto de fortes tensões estruturais. A taxa de participação no ensino superior etíope não ultrapassa os 12% em 2025, segundo a Revue internationale d'éducation de Sèvres, longe da meta governamental de 22%. O país conta com 46 universidades públicas e 275 instituições privadas, acolhendo mais de um milhão de estudantes, contra 210 mil em 2006–2007. No entanto, o crescimento quantitativo esconde défices de qualidade.
O Tesouro francês indica que “as competências adquiridas pelos alunos no ensino secundário e superior não parecem responder plenamente às necessidades do mercado de trabalho”. A taxa de desemprego jovem atingia 27,2% em 2022, segundo a Trading Economics. No mesmo ano, o Parceria Global para a Educação revelou que cerca de 90% das crianças de 10 anos não possuíam competências básicas de leitura.
Perante esta urgência, a Etiópia lançou em 2024 uma reforma universitária ambiciosa. Oito universidades-piloto estão envolvidas num processo de autonomização com o apoio da France Éducation international. O novo acordo com Chipre insere-se nesta dinâmica e reflete a vontade de diversificar parceiros académicos para transformar o capital humano num verdadeiro motor de desenvolvimento económico. Resta agora traduzir estas ambições em resultados concretos.
Félicien Houindo Lokossou













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