Apesar dos investimentos nas redes de telecomunicações, cerca de 9,9 milhões de pessoas utilizam serviços móveis no Senegal, o que representa aproximadamente 52 % de uma população de cerca de 18 milhões de habitantes. Apenas 8,16 milhões utilizam internet móvel de banda larga.
O Senegal acelera o seu caminho rumo à conectividade universal. Na sua mensagem à nação, na quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, o Presidente da República do Senegal, Bassirou Diomaye Faye (foto), anunciou um programa de implantação de antenas satelitais ao longo do ano de 2026. Este investimento contribuirá para o acesso gratuito à internet para cerca de um milhão de pessoas, declarou. A medida deverá beneficiar prioritariamente as zonas rurais e os bairros periféricos com fraca cobertura das redes de telecomunicações.
No seu estudo intitulado «Impulsionar a transformação digital da economia no Senegal: oportunidades, recomendações de políticas e o papel do móvel», divulgado em 5 de dezembro de 2025, a Associação Mundial de Operadores Móveis (GSMA) indica que o Senegal dispõe de uma cobertura 4G quase generalizada, atingindo 97 % da população, e de uma cobertura 5G de cerca de 39 %, concentrada sobretudo nas grandes áreas urbanas. Numa população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, cerca de 9,9 milhões de pessoas utilizam serviços móveis, ou seja, perto de 52 % da população total. Apenas 8,16 milhões de senegaleses utilizam internet móvel de banda larga, o que corresponde a cerca de 42 % da população.
A opção por antenas satelitais responde a uma limitação evidente: ligar todo o território por fibra ótica é um processo demorado e dispendioso. As soluções recentes, baseadas em constelações em órbita baixa, prometem uma entrada em funcionamento mais rápida, inclusive em zonas de difícil acesso. Para já, não foram fornecidos detalhes sobre o modelo de utilização destas antenas, mas o impacto potencial do serviço de internet que oferecem abre várias perspetivas.
Vários benefícios em perspetiva
Na educação, o desafio é significativo. Um acesso regular pode disponibilizar aos professores recursos atualizados, facilitar o ensino à distância e oferecer aos alunos bibliotecas digitais e exercícios interativos. Para os estudantes afastados dos campus, a ligação à internet torna-se um fator de sucesso académico e também uma poupança financeira, ao reduzir a dependência de cibercafés e de pacotes de dados pagos.
No setor da saúde, a telemedicina poderá ganhar terreno: teleconsultas entre postos de saúde e hospitais, transmissão mais rápida de processos clínicos, acompanhamento de doentes crónicos e formação contínua do pessoal de saúde. Nas zonas isoladas, a internet torna-se igualmente uma ferramenta de alerta e coordenação, útil em situações de epidemia ou de emergência.
O impacto é também económico. Para os microempreendedores, o acesso gratuito abre portas ao comércio eletrónico, aos pagamentos digitais, ao marketing através das redes sociais e ao acesso à informação sobre preços agrícolas ou oportunidades de mercado. As administrações públicas veem nesta iniciativa um acelerador da desmaterialização dos serviços: registo civil, procedimentos sociais, informação fiscal, sistemas de alerta e comunicação de proximidade.












