Uma delegação norte-americana já tinha sido recebida em novembro passado pelas autoridades para discutir a cooperação no domínio do digital. Os eixos abordados incluíam as infraestruturas digitais, o comércio eletrónico, as capacidades nacionais e a cibersegurança.
A Mauritânia explora perspetivas de parceria com os Estados Unidos da América no reforço da cibersegurança e na proteção das infraestruturas digitais sensíveis. Esta iniciativa insere-se nas ambições de integrar de forma mais ampla as ferramentas digitais na gestão pública, com vista à modernização dos serviços, ao reforço da transparência administrativa e à promoção do desenvolvimento económico e social.
Estas perspetivas foram debatidas na segunda-feira, 12 de janeiro, durante um encontro entre o ministro da Transformação Digital e da Modernização da Administração, Ahmed Salem Ould Bedde (foto, à direita), e a encarregada de negócios da embaixada dos Estados Unidos na Mauritânia, Corina R. Sanders (foto, à esquerda). Esta esteve acompanhada por uma delegação da empresa norte-americana Cybastion, especializada em soluções de cibersegurança e serviços digitais.
A Mauritânia procura a expertise norte-americana num contexto em que projeta a criação de uma equipa nacional de resposta a incidentes de segurança informática (CSIRT), bem como de um centro de operações de segurança (SOC). Tal implica um enfoque particular na formação das equipas locais, na transferência de competências e no reforço das capacidades.
O governo já tinha criado, por decreto, em abril de 2024, a Agência Nacional de Cibersegurança e Certificação Eletrónica (ANCCE). A sua missão consiste, entre outros aspetos, em proteger o ciberespaço nacional e melhorar a governação da cibersegurança. Esta criação dá continuidade aos progressos realizados, nomeadamente a ratificação, em 2023, da Convenção de Malabo da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais.
O país dispõe igualmente de uma Estratégia Nacional de Segurança Digital 2022-2026, estruturada em torno de seis objetivos estratégicos que abrangem a governação, a proteção das infraestruturas críticas, o combate ao cibercrime, a sensibilização e o desenvolvimento de competências, bem como a cooperação nacional e internacional.
Estes esforços em matéria de cibersegurança surgem num contexto em que esta é hoje considerada uma condição indispensável para o sucesso da transformação digital, um dos principais motores do desenvolvimento socioeconómico de muitos países africanos, incluindo a Mauritânia. Neste cenário, observa-se um aumento das ameaças cibernéticas que visam sistemas públicos, privados e financeiros. Segundo a Interpol, os incidentes de cibersegurança no continente causaram perdas financeiras superiores a 3 mil milhões de dólares entre 2019 e 2025.
Recorde-se que a Mauritânia foi classificada no quarto e penúltimo nível (Tier 4) do Índice Global de Cibersegurança 2024 da União Internacional das Telecomunicações (UIT). De acordo com a organização, o país apresenta um desempenho relativamente bom no pilar do enquadramento legislativo, mas necessita de intensificar os seus esforços nos domínios organizacional, técnico, do desenvolvimento de capacidades e da cooperação. Os Estados Unidos, por seu lado, figuram entre os modelos de referência a nível mundial.
Isaac K. Kassouwi













King Abdulaziz International Conference Center, Riyadh - « Dawn of a global cause: Minerals for a new age of development »