Os países africanos estão a acelerar a implementação da 5G. A tecnologia móvel de quinta geração, tendo em conta as suas capacidades, é apresentada como um motor essencial para apoiar a transformação digital e estimular novos usos.
As autoridades cabo-verdianas lançaram esta semana uma fase piloto da 5G no parque tecnológico TechPark CV, na capital, Praia. A iniciativa visa testar esta tecnologia de última geração durante um período de 12 meses, antes de um lançamento comercial previsto entre 2027 e 2028.
Segundo a agência nacional de notícias Inforpress, nesta fase inicial o projeto está limitado ao TechPark e reservado exclusivamente às empresas. Trata-se de um ambiente de teste, disponibilizado gratuitamente. A médio prazo, poderá ser alargado a outras ilhas, nomeadamente São Vicente, que acolhe um polo do parque tecnológico.
«O TechPark é um espaço dedicado à experimentação, à inovação e à transformação de ideias em realidade. A introdução desta fase piloto de 5G no TechPark está, portanto, em perfeita consonância com a nossa missão. O objetivo é oferecer um ambiente dotado de todas as infraestruturas necessárias para começar a desenvolver soluções, nomeadamente em start-ups ou na telemedicina, num enquadramento totalmente preparado», afirmou o administrador do TechPark, Carlos Delgado, citado pelo meio local Expresso das Ilhas.
O lançamento desta fase piloto ocorre algumas semanas após a apresentação de um roteiro para a implementação do ultra alto débito. De acordo com este documento, estes projetos deverão permitir testar soluções tecnológicas em condições reais, demonstrar o valor da 5G, estimular a inovação e recolher dados sobre os seus impactos económicos, sociais e territoriais. Servirão igualmente de base para uma expansão progressiva da rede e para o ajustamento das políticas públicas associadas.
O plano prevê ainda uma visão clara e progressiva da implementação da 5G. Tendo em conta as especificidades geográficas, socioeconómicas e infraestruturais do arquipélago, a implementação será feita de forma gradual, apoiando-se inicialmente no modelo 5G Non-Standalone (NSA), baseado nas redes 4G existentes.
De acordo com Valdemar Monteiro, responsável pelo departamento de projetos de engenharia da empresa pública CV Telecom, a infraestrutura atual assenta num único site 5G, com uma rede ainda dependente da 4G. A sua expansão exigirá, por isso, investimentos adicionais por parte dos operadores.
Um motor de transformação digital
As autoridades cabo-verdianas consideram a 5G como um acelerador da transformação digital do país. O Estado pretende integrar as TIC em vários setores, nomeadamente na educação, saúde, turismo e administração pública, de forma a apoiar o crescimento e o desenvolvimento. O objetivo é aumentar progressivamente a contribuição do setor das TIC para o PIB, atualmente estimada em cerca de 5%.
«A 5G é uma tecnologia disruptiva à escala global, particularmente para Cabo Verde, pois terá impacto na componente tecnológica, com uma largura de banda cerca de 10 vezes superior à da 4G e uma latência muito reduzida», afirmou Monteiro.
Acrescentou ainda que esta tecnologia oferece desempenhos superiores às soluções por satélite como a Starlink. Esta vantagem deve-se à proximidade das infraestruturas terrestres com os utilizadores, ao contrário dos satélites que se encontram a grandes distâncias. Esta configuração permite uma transmissão mais rápida e estável, melhorando a qualidade da ligação e ampliando as possibilidades de utilização.
Segundo as autoridades, estas características abrem caminho a novas oportunidades para as empresas e start-ups, facilitando o desenvolvimento de serviços inovadores.
Isaac K. Kassouwi













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