Os países africanos estão a apostar na transformação digital para acelerar o seu desenvolvimento. Esta ambição implica investimentos significativos em infraestruturas digitais.
As autoridades angolanas procederam, na terça-feira, 28 de abril, ao lançamento do centro de dados nacional e da cloud do governo. Esta iniciativa vem reforçar a infraestrutura digital e apoiar as ambições de transformação digital das autoridades.
Segundo um comunicado do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, o novo centro de dados promete várias vantagens. Entre os seus benefícios estão a confiança dos investidores, o alojamento seguro de dados em território nacional, a redução dos custos operacionais e o alargamento do acesso aos serviços públicos digitais.
O ministério acrescenta que a infraestrutura também contribuirá para melhorar a cibersegurança, estimular a inovação tecnológica e posicionar Angola como um hub digital na África Austral.
Reforço das infraestruturas
Segundo as autoridades angolanas, a construção do centro de dados nacional insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do setor das telecomunicações e das tecnologias de informação. Várias infraestruturas-chave são destacadas.
O país lançou, nomeadamente em outubro de 2022, o satélite de comunicações ANGOSAT-2, apresentado como um instrumento para reduzir a exclusão digital. Paralelamente, várias iniciativas têm sido implementadas para generalizar o acesso à Internet, incluindo escolas, hospitais, universidades e administrações públicas.
Angola também acelerou a expansão da fibra ótica, elevando a rede nacional para cerca de 22 000 quilómetros. A entrada em funcionamento do cabo submarino internacional 2Africa reforça a conectividade do país a nível regional e global. O país já está ligado a outros quatro cabos: West Africa Cable System (WACS), Unitel North Submarine Cable (UNSC), South Atlantic Cable System (SACS) e SAT-3/WASC.
Além disso, uma recente aproximação com a Namíbia deverá permitir o acesso de Angola às capacidades do cabo Equiano e preparar a chegada de um novo cabo operado pela Angola Telecom.
Segundo Mário Oliveira, ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, estes investimentos têm permitido consolidar uma base tecnológica sólida, promovendo a inclusão digital e criando oportunidades para o setor privado, nomeadamente para startups e PME.
Em termos de adoção, os dados do ministério indicam progressos significativos: mais de 85% da população está coberta por serviços de banda larga, o país conta com cerca de 17,7 milhões de assinantes e a taxa de penetração móvel ronda os 75%.
Ambições digitais ainda limitadas por desafios estruturais
Estas infraestruturas visam apoiar as ambições de transformação digital das autoridades angolanas, que pretendem fazer das TIC um motor de desenvolvimento socioeconómico. Neste contexto, o país implementa o Programa de Aceleração Digital de Angola (PADA), financiado em 300 milhões de dólares pelo Banco Mundial, com o objetivo de reforçar a inclusão digital, expandir o acesso a serviços públicos e dinamizar a economia digital.
No entanto, apesar destes avanços, vários indicadores revelam desafios persistentes. Angola ocupa o 156.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI) 2024, com uma pontuação de 0,4149 em 1. Este valor está ligeiramente abaixo da média africana (0,4247) e bem abaixo da média mundial (0,6382).
Em matéria de cibersegurança, o país foi classificado em 2024 na categoria “Tier 4” do índice global da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o penúltimo nível numa escala de cinco. Esta posição reflete um envolvimento ainda limitado, apesar de alguns progressos regulatórios e de uma participação crescente em iniciativas internacionais.
Isaac K. Kassouwi













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