Enquanto cerca de 6 em cada 10 jovens estão desempregados e a inadequação entre a formação e o mercado de trabalho continua evidente, Conacri prossegue os seus esforços para uma reforma do sistema educativo baseada em dados e no planeamento territorial.
A Guiné assinala um marco histórico na sua governação educativa. O primeiro-ministro Amadou Oury Bah presidiu, na quarta-feira, 29 de abril, ao lançamento oficial do processo de elaboração do mapa escolar nacional. Estava acompanhado pelo ministro da Educação Alpha Bacar Barry e pelo ministro do Planeamento Ismaël Nabé. O executivo guineense inscreve assim a ação pública numa lógica de antecipação e de gestão orientada por dados.
O mapa escolar não é um simples recenseamento. Visa «organizar de forma racional e equitativa o sistema educativo» e «garantir a cada criança um acesso equitativo à educação em todo o território nacional», segundo o primeiro-ministro. O ministro do Planeamento Ismaël Nabé considera-o um «verdadeiro instrumento de engenharia estratégica». Na prática, permitirá identificar zonas carenciadas, orientar investimentos e antecipar necessidades futuras. O primeiro-ministro abriu também caminho para um futuro mapa sanitário, ilustrando uma ambição de planeamento integrado a nível nacional.
Desigualdades gritantes a corrigir
O diagnóstico do ministro Alpha Bacar Barry é severo. As escolas estão desigualmente distribuídas pelo território. Metade das escolas primárias públicas está concentrada apenas em três regiões — N’Zérékoré, Kankan e Kindia — segundo dados do Ministério do Ensino Pré-Universitário e da Alfabetização. As prefeituras mais isoladas acumulam falta de escolas, de professores qualificados e de materiais didáticos. Em algumas zonas do interior, há turmas com até cem alunos em estruturas improvisadas.
Estas realidades mostram a dimensão dos desequilíbrios que o sistema não consegue medir por falta de dados consolidados. É precisamente isso que o ministro Barry destacou ao referir «uma distribuição desigual das infraestruturas» e «uma insuficiência de dados consolidados» que limita qualquer planeamento eficaz. O mapa escolar altera esta lógica e introduz uma cultura de evidência na decisão pública. Cada investimento poderá agora ser justificado, localizado e avaliado. Trata-se de uma passagem do planeamento intuitivo para um planeamento baseado em dados — uma rutura metodológica e política.
Uma medida essencial face à urgência do emprego
Esta iniciativa surge num contexto de profundas fragilidades educativas e económicas. Cerca de 60% dos jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados ou inativos, segundo a AGUIPE. Este dado reflete uma realidade estrutural confirmada pelos indicadores territoriais.
O Anuário Estatístico do Ensino Primário 2022-2023 mostra que a taxa bruta de escolarização no ensino primário atinge 83,9% nas zonas rurais, contra 155,5% nas zonas urbanas. Uma parte significativa das crianças em idade escolar continua fora do sistema, sobretudo nas regiões isoladas. A taxa de conclusão do ensino primário situa-se nos 66%, segundo o Parceria Global para a Educação.
As deficiências qualitativas agravam o cenário. No final do ensino primário, 55% dos alunos não atingem o nível mínimo de leitura e 43% não dominam as bases da matemática, de acordo com dados oficiais. Estas lacunas acumuladas bloqueiam o acesso a qualquer formação qualificada.
É precisamente este conjunto de desequilíbrios que o mapa escolar pretende cartografar e corrigir. Para recordar, Conacri lançou para 2024-2025 o programa Parcours Pro, centrado na adequação entre formação e necessidades do mercado. O país adotou também a sua primeira política nacional de emprego 2024-2030.
Félicien Houindo Lokossou













Landmark Centre, Victoria Island Lagos, Nigeria