Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Lítio de Manono: a chinesa CATH aposta 20 milhões de dólares no projeto contestado da AVZ na RDC

Lítio de Manono: a chinesa CATH aposta 20 milhões de dólares no projeto contestado da AVZ na RDC
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026

O desenvolvimento do projeto Manono, a principal descoberta de lítio na RDC, tem sido travado desde 2022 devido a um litígio sobre a titularidade. A AVZ, uma das partes envolvidas, obteve em janeiro de 2025 o apoio financeiro da CATH para defender os seus interesses, sem que, até à data, se tenha verificado qualquer evolução positiva.

A AVZ Minerals anunciou na quinta-feira, 15 de janeiro, a receção da totalidade dos fundos prometidos no ano passado pelo seu parceiro Suzhou CATH Energy Technologies. Trata-se de uma facilidade financeira de 20 milhões de dólares que a empresa chinesa aceitou colocar à disposição do seu parceiro australiano, que reivindica os direitos de exploração do projeto de lítio Manono, na República Democrática do Congo. Ao libertar os fundos, a CATH confirma o seu apoio à AVZ, apesar do aumento da incerteza quanto ao futuro deste projeto estratégico.

O acordo assinado em janeiro de 2025 com a AVZ concede à CATH várias vantagens em caso de êxito das reivindicações da empresa australiana sobre o projeto Manono. A empresa chinesa teria, por exemplo, o direito de adquirir 100% da produção de lítio durante cinco anos, ou até ao reembolso das despesas da AVZ que tenha financiado. A CATH dispõe ainda do direito de adquirir uma participação indireta de 30,5% no projeto.

Horizontes Interesses de todos os quadrantes

Manono é o maior jazigo de lítio descoberto até hoje na RDC. A AVZ Minerals realizou ali trabalhos de exploração durante vários anos, no âmbito de uma parceria com a empresa pública congolesa Cominière. Esta última pôs posteriormente termo à parceria, antes de se associar, em 2023, à chinesa Zijin Mining para desenvolver o mesmo projeto. A AVZ intentou várias ações junto de tribunais internacionais para contestar estas evoluções em torno da titularidade do projeto, sem que, até ao momento, tenha sido tomada qualquer decisão definitiva.

Neste contexto incerto, um outro ator entrou em cena há alguns meses: a KoBold Metals. Beneficiando da aproximação entre Kinshasa e Washington em torno de novos investimentos americanos no setor mineiro congolês, esta start-up californiana manifestou o seu interesse pelo projeto Manono. Em maio de 2025, a KoBold e a AVZ anunciaram assim um acordo-quadro para permitir o desenvolvimento do projeto. A empresa australiana receberia uma compensação em troca do abandono das suas pretensões sobre o jazigo. As negociações iniciadas para finalizar este acordo não chegaram, contudo, a bom termo.

Ainda assim, o interesse da KoBold pelo lítio congolês não diminuiu, uma vez que a empresa assinou de seguida outro acordo-quadro, desta vez com o governo congolês, relativo ao desenvolvimento do projeto Manono. Embora Kinshasa e a empresa americana não tenham detalhado a estratégia para valorizar o jazigo, a AVZ reagiu de imediato, garantindo que continuaria a defender os seus interesses, sem rejeitar o diálogo.

Persistência da incerteza

Estes diversos desenvolvimentos ao longo do último ano pouco contribuíram para esclarecer o futuro do projeto Manono ou a identidade das empresas que poderão explorar o jazigo. A Zijin tinha anunciado o início da produção em 2026, mas nada indica, nesta fase, que esse objetivo possa ser alcançado. Por seu lado, a AVZ encontrou-se recentemente na mira da justiça australiana por factos relacionados com o projeto. A Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC), autoridade reguladora dos mercados financeiros, anunciou em novembro de 2025 a abertura de um processo judicial contra a empresa, acusada de não ter informado devidamente os seus investidores sobre os problemas encontrados na RDC.

O governo congolês também comunica pouco sobre as opções disponíveis para fazer de Manono a primeira mina de lítio do país. Em dezembro de 2025, as autoridades assinaram um acordo com Washington para disponibilizar aos investidores nos Estados Unidos uma lista de projetos mineiros suscetíveis de serem desenvolvidos com capitais americanos. O ministro das Minas, Louis Watum, declarou que essa lista seria transmitida aos EUA esta semana, sem especificar se o projeto Manono nela estaria incluído. A hipótese parece pouco provável, uma vez que o acordo assinado com Washington estipula que nenhum projeto deve ser acrescentado à lista se tal contrariar obrigações jurídicas internacionais.

Os próximos meses poderão revelar-se decisivos para a resolução dos problemas que impedem a valorização de Manono. A comunicação da AVZ deixa, nomeadamente, antever uma solução que não implica necessariamente o seu regresso ao projeto, uma vez que afirma procurar atualmente «uma solução comercial para os acionistas».

Emiliano Tossou

 

Sobre o mesmo tema

O Egito é um dos principais mercados africanos de veículos elétricos, à frente da África do Sul e do Marrocos, com 7 900 unidades vendidas em 2025,...

A fronteira entre o Níger e o Benim, durante muito tempo utilizada para as exportações nigerinas, permanece fechada desde 2023. Para a futura mina de...

No Sud-Kivu, o setor mineiro continua dominado por práticas artesanais, marcado por uma governação frágil, violência persistente e locais de exploração...

Ainda ausente da produção mundial, a África poderá representar 9 % do abastecimento de terras raras até 2029, segundo projeções de mercado. Uma dinâmica...

MAIS LIDOS
01

Enquanto os seus projetos de gás, que estiveram paralisados durante vários anos, entraram numa dinâm…

Moçambique: o governo formaliza a criação de uma empresa de logística do gás.
02

Em Joanesburgo, o Apartheid Museum é considerado um dos mais importantes espaços de memória da Áfric…

Apartheid Museum: Onde a África do Sul Confronta o Seu Passado para Não o Reviver
03

A energia eólica faz parte, juntamente com a solar e a hidroelétrica, das fontes de energia verde ma…

2025, novo ano recorde para a energia eólica no mundo.
04

O padrão de beleza africano está ligado, entre outros elementos, aos penteados, dos quais as tranças…

Tranças e penteados tradicionais africanos: técnicas, significado e importância cultural

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.