A fronteira entre o Níger e o Benim, durante muito tempo utilizada para as exportações nigerinas, permanece fechada desde 2023. Para a futura mina de Dasa, que deverá começar a exportar urânio em 2028, a Global Atomic está a explorar alternativas caso esta situação se mantenha.
A Global Atomic considera o corredor argelino como uma opção logística para a sua futura mina de urânio de Dasa, no Níger. Numa atualização publicada esta semana, a empresa canadiana indica que o recente reforço da cooperação entre Niamey e Argel poderá abrir um novo corredor comercial entre o projeto Dasa e o Mediterrâneo.
«Trata-se de uma evolução muito promissora», declarou Stephen G. Roman. Segundo ele, a estrada entre Dasa e a fronteira argelina é curta, enquanto as condições de segurança na Argélia representam uma vantagem importante para esta opção.
Este anúncio surge após uma visita ao Níger de dirigentes da Global Atomic. Estes deslocaram-se ao local de Dasa juntamente com administradores nigerinos da SOMIDA, filial local detida em 80 % pela Global Atomic e em 20 % pelo Estado nigerino. A delegação reuniu-se igualmente com o presidente nigerino Abdourahamane Tiani, o primeiro-ministro Ali Lamine Zeine, o ministro das Minas Ousmane Abarchi e o ministro dos Negócios Estrangeiros Yaou Sangaré.
Uma alternativa ao bloqueio do corredor beninense
O interesse pelo corredor argelino explica-se pelo bloqueio persistente da via beninense. Até ao golpe de Estado de julho de 2023, o Níger utilizava principalmente o porto de Cotonou para as suas importações e exportações. O encerramento da fronteira com o Benim obrigou os operadores económicos e mineiros a procurar outros itinerários.
Enquanto a Global Atomic prevê exportar, até 2028, concentrado de urânio — o chamado yellowcake —, a empresa procura garantir um corredor fiável e economicamente viável, tanto para o transporte de equipamentos para a mina como para a exportação da produção. Embora existam outras opções, como a rota que passa pelo Togo e pelo Burquina Faso, atualmente utilizada para parte do comércio do Níger, estas são consideradas menos ideais do que o corredor beninense.
Neste contexto, a Argélia apresenta um interesse evidente tanto para Niamey como para a Global Atomic. O país oferece acesso ao Mediterrâneo, dispõe de infraestruturas portuárias e mantém relações diplomáticas em melhoria com o Níger. A visita do presidente Tiani à Argélia em fevereiro, seguida pela realização da Grande Comissão Mista argelino-nigerina em março, marcou uma retoma da cooperação após as tensões geradas pelo golpe de Estado de 2023 e pela crise migratória.
No entanto, o acordo referido pela Global Atomic deve ser encarado com prudência. Os acordos assinados entre Niamey e Argel em março abrangem vários setores, incluindo energia, obras públicas e comércio, mas nada indica, nesta fase, que incluam especificamente o projeto Dasa. O desfecho dependerá, portanto, das negociações entre a empresa, as autoridades nigerinas e os países de trânsito. A rota pelo Benim, historicamente a mais natural para o Níger, continua em aberto caso as relações entre Niamey e Cotonou se normalizem.
Esta hipótese ganhou força com a entrada em funções de Romuald Wadagni no Benim. Durante a sua tomada de posse, o novo presidente beninense manifestou a vontade de relançar a cooperação com os vizinhos sahelianos, na presença, nomeadamente, do primeiro-ministro nigerino Ali Lamine Zeine. Este último saudou o gesto como um sinal de abertura, após vários anos de tensão entre Cotonou e Niamey.
Emiliano Tossou













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