Ainda ausente da produção mundial, a África poderá representar 9 % do abastecimento de terras raras até 2029, segundo projeções de mercado. Uma dinâmica impulsionada por projetos já em curso, aos quais poderão juntar-se novos ativos em plena emergência.
Na quarta-feira, 27 de maio, a empresa australiana Sovereign Metals confirmou a presença de terras raras pesadas de elevada concentração no seu projeto de grafite e rutilo Kasiya, no Malawi. Este resultado, que reforça a sua estratégia de integrar estes minerais estratégicos no plano de desenvolvimento da futura mina, ilustra também a crescente importância da África nesta fileira, numa altura em que vários projetos avançam em diferentes países do continente.
A Sovereign Metals já tinha mencionado, em janeiro passado, a identificação no Kasiya de monazite, um minério que contém terras raras. Estas primeiras deteções deram origem a estudos aprofundados, que confirmam agora a presença de disprósio, térbio e ítrio nos depósitos do local. Mais ainda, as concentrações destes metais essenciais para as indústrias de veículos elétricos e turbinas eólicas apresentam rácios médios de óxidos de terras raras (TREO) cerca de sete vezes superiores aos dos cinco principais produtores mundiais.
A estas características soma-se o facto de estes produtos poderem ser recuperados a partir de resíduos mineiros. Uma vantagem para a Sovereign Metals, que não precisaria assim de investimentos adicionais para criar um circuito mineiro primário neste projeto, onde já está prevista a produção de grafite e rutilo. O objetivo é fazer das terras raras um subproduto destes dois minerais, posicionando o Kasiya como uma nova potencial fonte africana de terras raras.
Ausente da produção mundial desde o encerramento da mina burundesa de Gakara em 2021, a África prepara gradualmente o seu regresso à fileira ainda este ano. A Lindian Resources prevê colocar em funcionamento a sua mina de terras raras Kangankunde até ao quarto trimestre no Malawi. O projeto deverá ser seguido pela mina de Longonjo, atualmente em construção em Angola, com entrada em produção prevista para 2027. Ao mesmo tempo, outros projetos como Songwe Hill no Malawi, Phalaborwa na África do Sul ou Ngualla na Tanzânia poderão também reforçar a oferta africana nos próximos anos.
Aproveitar um mercado mundial estratégico
Através de avanços como os registados no Kasiya, a África consolida progressivamente a sua posição como futuro fornecedor-chave de terras raras. Já em 2024, com base nos projetos então em desenvolvimento, a consultora Benchmark Mineral Intelligence estimava que o continente poderia representar 9 % do abastecimento mundial até 2029. Um posicionamento estratégico, sobretudo porque as terras raras são centrais nos esforços das potências ocidentais para diversificar cadeias de abastecimento ainda dominadas pela China.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), Pequim representava cerca de 60 % da produção mineira mundial de terras raras em 2024 e 91 % das capacidades de refinação. Esta dominância leva outras potências a procurar fontes alternativas, como os Estados Unidos, que reforçam a sua presença em África através do apoio e financiamento de projetos como Longonjo e Phalaborwa. A Sovereign Metals também tem sublinhado estas dinâmicas, posicionando implicitamente o Kasiya como um pilar dessa estratégia de diversificação.
Apesar das perspetivas promissoras, as diferentes fontes que poderão compor a futura oferta africana de terras raras ainda terão de ultrapassar vários desafios. Do mais avançado ao menos maduro, os operadores terão de cumprir os seus calendários de desenvolvimento, garantir os financiamentos necessários e confirmar a viabilidade económica a longo prazo dos seus projetos.
Este último ponto diz particularmente respeito à Sovereign Metals, que prevê realizar uma avaliação do impacto económico da integração das terras raras no plano mineiro existente do Kasiya.
Aurel Sèdjro Houenou













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.