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RDC: eis por que as atividades mineiras foram suspensas em Mwenga e Shabunda

RDC: eis por que as atividades mineiras foram suspensas em Mwenga e Shabunda
Quinta-feira, 28 de Maio de 2026

No Sud-Kivu, o setor mineiro continua dominado por práticas artesanais, marcado por uma governação frágil, violência persistente e locais de exploração mal supervisionados.

O governo congolês voltou a aumentar a pressão sobre o setor mineiro no Sud-Kivu. Num despacho ministerial assinado a 22 de maio de 2026, o ministro das Minas, Louis Watum Kabamba, suspendeu por três meses todas as atividades mineiras nos territórios de Mwenga e Shabunda, duas zonas mineiras sensíveis frequentemente associadas à exploração ilícita de minerais, fraude e financiamento da insegurança no leste da República Democrática do Congo. O ouro, o estanho e sobretudo o coltan, mineral estratégico para a indústria tecnológica, provenientes do Sud-Kivu, são maioritariamente extraídos por mineiros artesanais.

No despacho, o Ministério refere o «aumento das atividades mineiras ilícitas» denunciadas na província do Sud-Kivu, especialmente em Mwenga e Shabunda. O texto menciona igualmente o impacto negativo destas atividades sobre a segurança e a integridade territorial nacional, nomeadamente através do financiamento de projetos de desestabilização das instituições da República.

A medida não é inédita. Insere-se num ciclo já observado no Sud-Kivu: suspensão das atividades, controlos administrativos, retoma seletiva para operadores regularizados e, depois, regresso das práticas ilegais. Esta nova decisão evidencia assim a dificuldade persistente do Estado em normalizar de forma duradoura o setor mineiro local e, de forma mais ampla, em toda a região oriental do país.

O ministro das Minas, Louis Watum Kabamba, multiplicou recentemente operações de controlo contra a exploração ilegal de minerais no leste da RDC. Em abril passado, durante uma missão nas províncias de Ituri, Bas-Uélé e Maniema, ordenou o encerramento de vários locais ilegais de exploração de ouro que operavam sem títulos mineiros nem licenças de exploração, denunciando redes de fraude e contrabando que prejudicam a soberania mineira do país.

O despacho prevê igualmente o destacamento de uma missão de controlo da Inspeção-Geral das Minas, em colaboração com outros serviços competentes. Esta missão deverá verificar a legalidade das explorações, documentar os factos denunciados, identificar os responsáveis e propor medidas corretivas.

Boaz Kabeya

 

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