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A Argélia aposta nos seus investigadores para relançar a sua indústria eletrónica.

A Argélia aposta nos seus investigadores para relançar a sua indústria eletrónica.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2026

Perante uma indústria eletrónica nacional à procura de renovação tecnológica, a Argélia aposta na investigação aplicada para dotar as suas empresas públicas das competências e inovações necessárias para uma recuperação produtiva e sustentável.

Neste contexto, a Entreprise Nationale des Industries Électroniques (ENIE) assinou, na terça-feira, 2 de junho, um acordo com a Agence Thématique de Recherche en Sciences et Technologies (ATRST). Sediada em Sidi Bel-Abbès, a ENIE é o principal fabricante público de equipamentos eletrónicos do país, enquanto a ATRST é responsável pelo financiamento e avaliação de projetos de investigação aplicada.

Segundo informações divulgadas pela Algeria Press Service (APS), o acordo prevê o financiamento de oito projetos inovadores de investigação aplicada. Estes projetos irão associar cientistas ao aparelho produtivo da empresa, no âmbito de um mecanismo de parceria coordenado pela Direção-Geral da Investigação Científica e do Desenvolvimento Tecnológico (DGRSDT). Atualmente, esta instituição coordena cerca de 80 projetos semelhantes com o setor socioeconómico nacional.

O objetivo é ligar a capacidade produtiva da empresa ao conhecimento científico nacional. A ENIE emprega 1.329 trabalhadores e quadros técnicos e está a implementar um plano de recuperação centrado na produção de tablets educativos, terminais de pagamento eletrónico e painéis solares.

Os oito projetos deverão contribuir para aumentar a taxa de integração local, atualmente estimada em 30% na produção de tablets. O presidente executivo da empresa, Mohamed Abbes Bourassi, afirmou que pretende «estabelecer parcerias que permitam aumentar esta taxa no futuro».

Desafios estruturais persistem

Esta iniciativa surge num momento em que o setor eletrónico argelino enfrenta importantes desafios estruturais. Segundo o Banco Mundial, a indústria representava 36% do Produto Interno Bruto (PIB) da Argélia em 2024. No entanto, de acordo com o governo, a taxa de integração local não ultrapassava 15% em 2023.

As empresas do setor continuam dependentes das importações para mais de 85% das suas necessidades de produção, o que limita o desenvolvimento de uma cadeia de valor industrial plenamente nacional.

Ao mesmo tempo, o desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos atingia 29,3% em outubro de 2024, segundo o Office National des Statistiques (ONS). O setor eletrónico é considerado um dos segmentos com maior potencial para gerar empregos qualificados.

Em 2025, a ENIE estabeleceu como meta a produção de dois milhões de tablets destinados a equipar 8.810 estabelecimentos de ensino. Além disso, em 2024, o setor universitário argelino registou 2.800 pedidos de patentes, segundo a DGRSDT.

Estes indicadores refletem a ambição da Argélia de fazer do conhecimento científico e da inovação tecnológica os pilares da sua revitalização industrial.

Félicien Houindo Lokossou

 

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