Enquanto o desemprego jovem na África do Sul permanece elevado e as empresas enfrentam dificuldades em encontrar perfis qualificados, as competências digitais afirmam-se como uma alavanca estratégica para reduzir o fosso entre a formação e o emprego.
Na África do Sul, a Seseko, uma empresa sul-africana especializada em EdTech, está a reforçar as suas iniciativas para reduzir a exclusão digital. Segundo informações divulgadas na terça-feira, 7 de abril, pelo ITWeb, a organização prevê realizar o seu Digital Skills Summit 2026 nos dias 27 e 28 de agosto de 2026.
O evento tem como público-alvo cerca de 1500 formandos, mais de 200 professores e 75 estabelecimentos de ensino no Gauteng. O objetivo é preparar os jovens para as exigências de um mercado de trabalho cada vez mais orientado para o digital.
O programa aposta numa abordagem fortemente prática. Estão previstos workshops interativos, sessões de mentoria e encontros com empresas tecnológicas. Os participantes serão formados em programação, inteligência artificial e análise de dados, com contacto direto com empregadores para melhor orientar os seus percursos.
A Seseko procura assim colmatar um défice estrutural. A organização sublinha que mais de 60% dos empregos do futuro exigirão domínio de competências digitais. No entanto, o acesso a estas competências ainda está fora do alcance de uma grande parte da população, em particular nas comunidades mais desfavorecidas.
O contexto nacional torna esta iniciativa ainda mais urgente. Segundo a Statistics South Africa, a taxa de desemprego atingiu 31,4% no quarto trimestre de 2025, subindo para 57% entre os jovens dos 15 aos 24 anos. Estes números refletem as profundas dificuldades de inserção dos jovens na economia sul-africana.
As desigualdades no acesso ao digital agravam ainda mais a situação. De acordo com o relatório anual da ICASA publicado em março de 2025, o telemóvel continua a ser o principal meio de ligação, utilizado por 91,2% dos agregados familiares em 2023, contra 88,7% em 2022. No entanto, as disparidades provinciais continuam evidentes. O Mpumalanga regista 96,1% de agregados familiares ligados apenas por telemóvel, enquanto o Northern Cape apresenta a maior taxa de agregados sem qualquer acesso telefónico, com 10,1%. Este fosso digital afeta sobretudo as regiões mais vulneráveis, onde a Seseko concentra precisamente a sua ação.
Félicien Houindo Lokossou













Palais des Expositions, Alger (Safex)