Face aux limites do seu sistema educativo e à pressão demográfica, o Malawi acelera as suas reformas. O país aposta em parcerias internacionais para aproximar formação, competências e emprego, num contexto de transformação económica ainda frágil.
O Malawi deu um novo passo na reforma do seu sistema educativo. Na segunda-feira, 25 de maio, o ministro da Educação, Bright Msaka, recebeu uma delegação britânica em Lilongwe. No centro das discussões esteve a vontade de construir um sistema capaz de responder às realidades do mercado de trabalho. «Queremos formar mentes críticas, capazes de responder às transformações tecnológicas», afirmou o ministro, definindo desde logo a direção da reforma.
O ministério trabalha numa revisão estrutural destinada a identificar precocemente os pontos fortes e as dificuldades de cada aluno, para melhor orientar os percursos escolares desde os primeiros anos. Uma abordagem apoiada pelo Reino Unido através da Parceria Global para a Educação. O deputado Bambos Charalambous insistiu em prioridades como as aprendizagens fundamentais, as ferramentas digitais e a distribuição de tablets para modernizar os métodos de avaliação.
Entre as principais medidas previstas está a introdução do empreendedorismo como disciplina autónoma em todos os níveis de ensino. «Ensinar empreendedorismo desde cedo permitirá à nossa juventude criar as suas próprias oportunidades», defendeu o ministro, num país onde o fosso entre escola e emprego continua a ser um grande desafio.
Uma urgência bem documentada
Segundo a Divisão da População das Nações Unidas, mais de 60% da população do Malawi tem menos de 25 anos. O Banco Mundial estima que cerca de 270 mil jovens entram todos os anos num mercado de trabalho que oferece apenas 40 mil empregos formais, enquanto o Instituto Nacional de Estatística revela que o setor informal absorve mais de 90% da população ativa.
A economia malawiana continua igualmente vulnerável a choques climáticos, financeiros e macroeconómicos. Numa publicação de 2024, a UNESCO sublinha as persistentes desigualdades no acesso e na qualidade do ensino, enquanto a OIT destaca o desfasamento crescente entre as competências adquiridas e as expectativas dos empregadores.
Félicien Houindo Lokossou













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